PUBLICAÇÕES ABRALIC 2020-2021

 

DISCURSO DE AGRADECIMENTO PELO PRÊMIO TANIA FRANCO CARVALHAL

 

Eneida Maria de Souza

Agradeço emocionada a indicação de meu nome para receber este Prêmio instituído pela ABRALIC em homenagem à nossa querida colega e amiga Tania Carvalhal. Fico muito honrada com esta homenagem, uma vez que todos nós reconhecemos a importância e o legado de Tania. Convivemos durante muitos anos ao longo de sua gestão e da minha, não só após seu mandato, mas nos demais anos que se seguiram. Reconhecemos as dificuldades em presidir, naquela época, 1986–1988, 1989–1990, quando eram precários os instrumentos de organização e divulgação de nossas atividades. A diferença para os dias atuais é que contávamos com um número bem menor de sócios e de participantes nos congressos, se comparados aos de hoje, embora o trabalho se apresentasse de forma bem árdua.

Tudo isso comprova tanto a importância da Associação para a consolidação da disciplina, quanto o extremo empreendimento de todos nós para a divulgação e implementação de uma mentalidade coletiva responsável pelo avanço das discussões sobre Literatura Comparada no Brasil e no mundo. O empenho das diferentes universidades para que o empreendimento alcançasse o êxito almejado contou com a boa vontade da classe de professores e dirigentes de todas as partes do país. A participação de pesquisadores estrangeiros foi crucial para que nossos projetos fossem concretizados.

Tania tornou-se uma das mais significativas representantes deste legado pela sua entrega total à defesa de nossos interesses e pelo incentivo constante ao crescimento dos intercâmbios, à defesa de uma visão mais aberta e interdisciplinar da Literatura Comparada, o que resultou no perfil que hoje a disciplina ostenta.

Incansável na divulgação dos resultados dos trabalhos dos congressos e seminários, promoveu a publicação e a criação de meios eficazes para a contribuição acadêmica, a criação de grupos de pesquisa, assim como o maior entrosamento entre estudiosos de línguas e literaturas estrangeiras. Com isso, a Literatura Comparada expandiu seu campo de atuação, impedindo que as pesquisas ficassem circunscritas a interesses nacionais e a uma só disciplina. Este legado ninguém poderá esquecer como sendo um dos grandes méritos da metodologia avançada e aberta inaugurada pela disciplina.

Uma das características marcantes encontrada no perfil da disciplina foi a leitura teórica pautada pela cultura francesa, em que os princípios da disciplina foram devidamente recebidos pela classe acadêmica, principalmente pela formação de muitos de seus membros. No entanto, com a presença de pesquisadores oriundos de várias áreas, como a literatura anglo-saxã, americana, alemã, espanhola e latino-americana, ao lado da brasileira e portuguesa, ampliou-se o nível de maturidade da disciplina, principalmente por procurar uma expressão nacional, em resposta à hegemonia europeia e de outras fontes. Data dessa época a participação de manifestações das literaturas periféricas, concedendo aos estudos uma fisionomia que mesclava cores locais com as estrangeiras, sem que houvesse a predominância de uma sobre a outra. Nesse sentido, os trabalhos desenvolvidos pelos associados, sempre presentes nos congressos e nas publicações de acadêmicos vindos de países os mais diversificados, contribuíram para que a ABRALIC atingisse sua importância na atualidade, com a abertura permanente de cursos especializados na matéria e grande volume de novos adeptos. A realização de congressos com um número vultoso de participantes deve ser comemorada como uma das maiores conquistas para o avanço dos estudos de literatura no Brasil. É importante ainda assinalar a criação de linhas de pesquisa centradas nos estudos de gênero, como os feministas, LGBTQIA+, étnicos, negros, identitários, entre outros, como decorrência da abertura política no Brasil, no final dos anos 1970, e a retomada dos estudos de literatura comparada no país. As mudanças de rumos do perfil dos discursos literários tiveram ainda o impulso do surgimento dos estudos culturais, por meio dos quais a cultura foi integrada às pesquisas como componente imprescindível ao seu desenvolvimento.

Encerro este simples agradecimento à atual diretoria da Associação, na figura de seu presidente, Dr. Gerson Roberto Neumann, na esperança de ser merecedora de tão significativa homenagem.

ENEIDA MARIA DE SOUZA: OS SABERES DA CRÍTICA

A ABRALIC tem a honra de publicar a fala do professor Dr. Roniere Menezes por ocasião da entrega do prêmio Tânia Franco Carvalhal À professora Dra. Eneida Maria de Souza no Congresso Internacional de 2021. Leia o texto na íntegra:

 

 

 

 

 

 

ENEIDA MARIA DE SOUZA: OS SABERES DA CRÍTICA

 

Roniere Menezes (CEFET-MG e CNPq)[1]

[1] Professor de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura no CEFET-MG. É doutor em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da UFMG e realizou estágio pós-doutoral no PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da Faculdade de Letras da UFRJ. A palestra foi proferida no Congresso Internacional da ABRALIC, na UFRGS, intitulado "Diálogos Transdisciplinares", no dia 08 de outubro de 2021. Na ocasião, a professora Eneida Maria de Souza recebeu o Prêmio Tânia Franco Carvalhal por sua contribuição à Literatura Comparada.


A costureira estilista

Boa noite a todos e a todas. Quero inicialmente cumprimentar o professor Gerson Neumann, presidente da ABRALIC e, por meio dele, cumprimentar toda a diretoria da entidade pelo excelente trabalho realizado no último biênio.

O professor Gerson Neumann e o professor Andrei Cunha convidaram-me para uma honrada e difícil tarefa: fazer uma homenagem à professora emérita da UFMG, ensaísta e bolsista de produtividade 1A do CNPq, Eneida Maria de Souza, merecidamente vencedora do Prêmio Tania Franco Carvalhal deste ano. Sinto-me honrado pelo privilégio de poder escrever um pouco sobre minha grande amiga e sempre orientadora Eneida. A confecção textual revela-se difícil porque a trajetória acadêmica da professora abre janelas para a escrita de um vultoso livro. De todo modo, tentarei, aqui, apresentar alguns dos importantes aspectos da produção intelectual da homenageada cujo percurso acadêmico funciona como inspiração para todos os que se dedicam à pesquisa, ao magistério e à escrita acadêmica no Brasil.

Assim como Mário de Andrade, um dos autores de sua predileção, Eneida é dona de um saber inquieto. Apaixona-se por tudo, por objetos diversos, sejam ligados à literatura erudita, à criação modernista, à canção popular, aos folhetos de cordel, ao artesanato, ao cinema, à fotografia, à filosofia, a textos teóricos. Estabelece inusitados cruzamentos entre os objetos. O trabalho sempre se faz de forma pausada, meticulosa.

Como costureira de talento, cria finas roupas. Nas atividades, avalia o tecido, a textura, a cor, escolhe o molde, corta o pano, faz alinhavos e pisa, com ritmo regular, o pedal da máquina. Interrompe a ação para observar o pesponto de modo mais próximo à vista e depois distancia-se um pouco para melhor perceber o caimento da peça. A modista viaja para acompanhar tendências, ir a feiras internacionais, observar o street style, aprender novas técnicas, conhecer talentos, apreciar relações entre arte e cultura, importar tecidos e tratá-los com percepções locais. Trai memórias apreendidas, mescla saberes diversos, inclui, nas produções, bordados nordestinos, estampas do Jequitinhonha, inventa novos cortes, novas costuras, cuida do acabamento. Assim monta sua coleção e realiza seus lançamentos. Com o trabalho minucioso de quem passa a linha pelo buraco da agulha sem perder de vista o contexto, as voltas do planeta, as reviravoltas do país, dissemina as obras que podem funcionar como máquinas de vestir, de morar, de viajar, peças a partir de onde se pode observar as modalidades artístico-culturais e as formas de vida do mundo ao redor. Assim, o trabalho cotidiano da costureira vai se transformando — pelos desenhos precisos da linha e pelos delírios flutuantes da imaginação — no trabalho de estilista. Como hábil costureira e artesã, e ao mesmo tempo estilista inventiva, Eneida Maria de Souza tem produzido marcantes modelos de análise e contribuído imensamente para o desenvolvimento da área de Teoria da Literatura, Literatura Comparada e Crítica Cultural no país

Segundo Letícia Malard, “a marca registrada dela como professora, pesquisadora e orientadora é o entusiasmo pela profissão, a disciplina e a responsabilidade, a segurança na fixação de objetos e metas. Seu lema é ‘podem contar comigo’” (MALARD apud ALKMIM, 2013).

Nascida em Manhuaçu, Zona da Mata mineira, desde cedo demonstrou interesse pela leitura. Incentivada pelos pais — a professora de português Maria da Conceição Carvalho de Souza, conhecida como Dona Lilita, e o Sr. Nudant Pizelli de Souza, empresário, fazendeiro e amante das letras e artes — leu toda a obra de Monteiro Lobato quando ainda criança. Os cursos primário e ginasial foram feitos na Escola Normal Oficial de Manhuaçu. Em Belo Horizonte, entre os anos 1960 e 1962, faz o curso clássico no Colégio Helena Guerra, de freiras italianas, e forma-se em Letras em 1966, pela UFMG. Em 1968, passa em concurso e começa a lecionar na mesma Faculdade, iniciando um trajeto que contribuiria imensamente para a transformação da instituição nas décadas seguintes, principalmente na área de pós-graduação em estudos literários.

Em 1975, Eneida conclui o mestrado em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, onde amplia o seu círculo afetivo e intelectual. Defende, na instituição, dissertação intitulada A barca dos homens: a viagem e o rito, sobre a obra de Autran Dourado. No final da década de 1970, segue para a França onde defende, em 1982, tese de doutorado na Universidade de Paris VII — Jussieu — sobre Macunaíma, de Mário de Andrade, trabalho orientado por Julia Kristeva. O livro, produto da tese, intitulado A pedra mágica do discurso, foi publicado, pela Ed. UFMG, em 1988. Em 1999, sai a segunda edição, revista e ampliada. O trabalho estabeleceu novos parâmetros em relação à crítica sobre o autor modernista, sobre a ideia de autoria, plágio, intertexto, sobre os diálogos existentes entre cultura erudita e popular.

Contribuições acadêmicas

Entre as diversas contribuições de Eneida para a universidade, além do trabalho como professora e orientadora, podemos nos lembrar de seu empenho pela criação do doutorado na FALE-UFMG, em 1985, ação que contribuiu com a internacionalização da instituição.

Em 1989, Eneida juntamente com professores de Teoria da Literatura e de Literatura Brasileira decidiram criar, na Faculdade Letras da UFMG, por sugestão de Silviano Santiago e com apoio da então diretora da escola, Melânia Silva de Aguiar, o Centro de Estudos Literários (CEL). O órgão traz como um de seus objetivos propiciar condições para receber, preservar e fomentar pesquisas em acervos e bibliotecas, colocando-os à disposição da comunidade.

No mesmo ano, participa ativamente, ao lado de colegas da Faculdade de Letras, da criação do Acervo de Escritores Mineiros, com o intuito inicial de congregar pesquisadores e estagiários que pudessem analisar criticamente o corpus bibliográfico de Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião e Oswaldo França Júnior, primeiros autores acolhidos pelo setor. O espaço museológico e arquivístico do Acervo de Escritores Mineiros está instalado na Biblioteca Central da UFMG e reúne cerca de 30 mil volumes, manuscritos, datiloscritos, correspondências, fotografias e objetos pessoais de autores e autoras importantes para a história literária e cultural do país. Além dos nomes citados, o local passa a cuidar dos acervos de Cyro dos Anjos, Abgar Renault, Autran Dourado, Fernando Sabino, Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo, Adão Ventura, Carlos Herculano Lopes, Lúcia Machado de Almeida, José Maria Cançado, Octavio Dias Leite, Wander Piroli, entre outros. O ambiente possibilita diversas pesquisas e produções acadêmicas relativas à invenção literária, à noção de arquivo, à crítica biográfica e à memória cultural, áreas às quais Eneida tem dedicado seus projetos.

Em 1986, a pesquisadora contribui para a criação da ABRALIC, tornando-se sua segunda presidente, durante o biênio 1989-1990. Segundo nossa homenageada:

Ao aceitar a presidência da ABRALIC, pretendi dar prosseguimento aos princípios que nortearam sua primeira gestão, conduzida por Tania Franco Carvalhal, a quem coube a difícil tarefa de dar corpo à Associação e responsabilizar-se pelos seus primeiros passos e sua gradativa consolidação. Venho a exercer, nesse cargo, uma atividade que ultrapassa as fronteiras da instituição, impulsionando, em âmbito maior, a promoção do intercâmbio entre estudiosos das universidades nacionais e as condições para um diálogo com a cultura estrangeira. (...) esforcei-me por defender um espaço de reflexão e enriquecimento de experiências acadêmicas, bem como de sistematização do quadro teórico da disciplina. (SOUZA, 2012, p.119)

Após aposentar-se, a dinâmica pesquisadora ampliou sua produção acadêmica com a escrita de ensaios, organização e publicação de livros e revistas. Tendo continuado a orientar teses na Faculdade de Letras da UFMG, trabalhou como professora-visitante em diversas universidades brasileiras, como a UFBA, UERJ, PUC/Rio, UFJF, UFRN, UFC, UFRGS, além de universidades estrangeiras, como as de Nottingham (Inglaterra), Poitiers (França), San Andrés (Argentina). Entre os anos 2010 e 2014, atuou como professora na Pós-graduação da Faculdade de Letras da Universidade Federal de São João del-Rei como bolsista de Professor Visitante Nacional Sênior (CAPES).

Após aposentar-se, a dinâmica pesquisadora ampliou sua produção acadêmica com a escrita de ensaios, organização e publicação de livros e revistas. Tendo continuado a orientar teses na Faculdade de Letras da UFMG, trabalhou como professora-visitante em diversas universidades brasileiras, como a UFBA, UERJ, PUC/Rio, UFJF, UFRN, UFC, UFRGS, além de universidades estrangeiras, como as de Nottingham (Inglaterra), Poitiers (França), San Andrés (Argentina). Entre os anos 2010 e 2014, atuou como professora na Pós-graduação da Faculdade de Letras da Universidade Federal de São João del-Rei como bolsista de Professor Visitante Nacional Sênior (CAPES).

No período, orientou pesquisas, organizou colóquios e edições de livros, disseminando entre alunos e professores da cidade histórica mineira sua sabença, sua busca constante pelo aprendizado, sua fina escuta da voz do outro, sua alegria de viver. Posteriormente, voltou a oferecer concorridos cursos no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da FALE-UFMG, atividade que continua exercendo com grande dedicação.

Atualmente, entre várias atividades, Eneida atua como uma das coordenadoras do Minas Mundo, projeto que congrega pesquisadores do Brasil e do exterior visando à realização de leituras críticas sobre o modernismo brasileiro e ao estabelecimento de oficinas, palestras, exposições, eventos artísticos e publicações ligadas ao centenário do movimento.

Percurso crítico

Em seu percurso, a professora estabeleceu, nos anos 1960, investigações relativas ao Estruturalismo. A linha teórica a acompanha na criação de importantes trabalhos nos anos 1970. A partir desses estudos, percebe conexões existentes entre o Estruturalismo de Ferdinand de Saussure, a Antropologia estrutural de Claude Lévi-Strauss, a cultura popular e o discurso das minorias. Assim, linhas de pesquisa e aparatos conceituais são percebidos não como meio de criação de circuitos fechados a poucos, mas como formas de alcançar outras margens. Em todo o processo estão presentes o método, o cuidado com as afinidades e as diferenças, as aproximações com outros territórios. Segundo a estudiosa: “A Antropologia, ao descentrar o eixo dos valores etnocêntricos, propicia ainda a quebra de hierarquia dos discursos e aguça o interesse pela valorização de textos considerados marginais pela cultura oficial (SOUZA, 2012, p. 53). Após estudos referentes ao Estruturalismo e à Antropologia, a pesquisadora envereda-se pela Psicanálise e pela Semiologia, desenvolvendo singulares argumentações na área da Teoria Literária e Literatura Comparada.

Em cada espaço a que chega, a autora vivencia-o com vagar, faz seus reconhecimentos de terreno, realiza seus mergulhos críticos. Tece articulações com teóricos fundamentais do século XX, em especial os franceses ligados ao estruturalismo, ao pós-estruturalismo e à história da arte, pensadores da Áustria e da Alemanha participam do conjunto. Desse modo, traz para sua alçada autores como Lévi-Strauss, Roland Barthes, Antoine Compagnon, Sigmund Freud, Jacques Lacan, Michel Foucault, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Julia Kristeva, Aby Warburg, Georges Didi-Huberman, entre outros. Quanto ao corpus teórico-crítico brasileiro, Eneida revela-se herdeira dos ensinamentos recebidos de mestres como Maria Luiza Ramos, Silviano Santiago, Luiz Costa Lima, Affonso Romano de Sant’Anna e Dirce Cortes Riedel. Algumas obras desses autores sempre estão ao lado de nossa professora, inclusive devido a amizades de vida inteira; outras produções são revisitadas às vezes, a contrapelo; de algumas obras ela se distanciou devido a novas abordagens que surgiram a partir de seu modo ímpar de observar os materiais de pesquisa. Nos últimos tempos, Eneida aproxima-se bastante do campo teórico latino-americano, de vertentes críticas norte-americanas e portuguesas, além de estabelecer leituras de autores indianos, jamaicanos e brasileiros contemporâneos que atuam a partir de espaços fronteiriços menos hegemônicos e ligados a debates do presente.

Com o fundamental livro Traço crítico, de 1993, Eneida revisita diversas pesquisas feitas até então. O volume funciona como uma das portas de entrada para quem deseja iniciar-se nas diversas, mas sempre bem elaboradas questões propostas pela autora.

O trabalho com intelectuais e a era JK gerou, além de outras produções, o livro Modernidades Tardias, de 1998. Sobre Jorge Luís Borges, escreveu, em 1999, O século de Borges. Em O risco da memória, de 2004, a ensaísta debruça-se sobre a criação do médico, desenhista e memorialista modernista, Pedro Nava. Em breve sairá a edição crítica de Beira-mar, organizada pela autora. Sobre pesquisas em arquivos e acervos, Eneida organizou, juntamente com o professor Wander Miranda, os livros Arquivos literários, em 2003 e Crítica e coleção, em 2011. Em 2007 publica Tempos de pós-crítica: ensaios, livro que tem segunda edição completa em 2012. A edição traz, entre alguns ensaios, o Memorial do concurso para Professora Titular de Teoria da Literatura da UFMG, escrito em 1989, e uma entrevista em que traz importantes elementos de sua perspectiva teórica. Em 2010, Eneida lança Mário de Andrade e Henriqueta Lisboa: correspondências, trabalho com o qual alcança o segundo lugar no Prêmio Jabuti 2011, na categoria Biografia. Em 2014 publica, com a amiga-irmã Marília Rothier Cardoso, o livro Modernidade toda prosa.

Literatura comparada e transdisciplinaridade

Não podemos tratar da importância da professora Eneida Maria de Souza para o campo acadêmico sem nos determos em suas incursões transdisciplinares, atividades em que a literatura comparada se abre aos estudos interartes, à noção de literatura como campo expandido, aos diálogos com a cultura popular e a tecnologia. Muitas são as criações nesse sentido. Os estudos de piano realizados ainda em Manhuaçu contribuem para o ouvido atento à linguagem musical, aos acordes consonantes e dissonantes que surgem na aproximação de objetos de espaços e tempos distintos.

Deve-se salientar que Eneida foi das primeiras pesquisadoras no país a realizar detido trabalho sobre a literatura de cordel, tendo como base teórica a obra de Mikhail Bakhtin e Lévi-Strauss. Os conhecimentos da literatura popular contribuíram bastante para a realização da tese de doutorado sobre Macunaíma.

Em outubro de 2021, a mestre lança, pela Cepe Editora, Narrativas impuras, livro que apresenta ensaios que tratam de parceiros e parceiras de viagem como Mário de Andrade, Silviano Santiago, Roland Barthes, Jacques Derrida, Georges Didi-Huberman, Maria Luiza Ramos, Dirce Cortes Riedel, que abordam fotografias de Assis Horta, fotopintores do Ceará, produções do modernismo brasileiro. O volume traz ainda outros consistentes textos produzidos nos últimos vinte anos. Na última parte da publicação, Eneida apresenta reflexões sobre a própria trajetória, ressaltando interfaces existentes entre “experiência pessoal e desempenho profissional”. A relação entre a análise literária, a filosofia, a literatura moderna e a cultura popular sempre fizeram parte do horizonte desbravado pela ensaísta.

Em 1972, Eneida escreve instigante ensaio sobre a canção “Construção”, de Chico Buarque de Holanda. Segundo seu ex-aluno e posteriormente colega de trabalho, Antonio Sérgio Bueno,

A análise que Eneida publicou em 1972, de "Construção", de Chico Buarque, foi um divisor de águas. Primeiramente trouxe para o "espaço nobre" da Academia um produto da chamada "cultura popular". Em segundo lugar, a desmontagem crítica da "Construção" revelando-lhe uma estrutura em abismo (...) mostrou que esse mergulho dessacralizador nas articulações internas de um "objeto estético" não o profana, antes ilumina-o e realça-lhe a própria beleza. (BUENO, 2007, p. 14-15)

Segundo Silviano Santiago: "Sua análise pioneira de "Construção" (...) inaugura a ousada, carinhosa e infindável preferência por estranhos objetos de estudo" (SANTIAGO, 2012, p. 10).

Completa essas visadas, a avaliação do também ex-aluno, colega de faculdade e amigo próximo, Wander Melo Miranda. Para o professor:

Nos anos de 1970 tive aulas com ela de Teoria da Literatura. Sempre escolhia suas disciplinas em razão da qualidade. Ela trazia — e ainda traz — uma extrema conexão com o que está acontecendo no mundo. Levava para dentro da sala o que havia de mais novo na literatura, no cinema, na música, nas artes plásticas. Não era uma aula apenas sobre literatura. Sem falar no rigor teórico e na sensibilidade. (MIRANDA apud ALKMIM, 2013)

Os trabalhos de Eneida, como sabemos, transitam entre literatura de cordel, o cantador de cocos Chico Antônio, Aleijadinho, fotógrafos mineiros, fotopintores nordestinos, o filme Santiago, Carmen Miranda, Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda. A assídua frequência a shows musicais, cinemas, ballets, peças teatrais, exposições, museus ampliam o horizonte estético e intelectual da pensadora e fazem dela, mais que uma apreciadora, uma cuidadora das invenções do mundo.

O dom da partilha

Eneida conquistou, com a sua “lenta e amorosa descoberta do saber”, reconhecimento nacional e internacional. Entrou em diversos sistemas, criou parâmetros, mas teve coragem de romper paradigmas, inaugurar outras vertentes de pensamento, avaliar sobrevivências de antigas obras. Mesmo lidando com uma pluralidade de objetos, a ensaísta não se deixa levar pela superficialidade analítica. As investigações apresentam-se atentas, as reflexões, sistematizadas, o instrumental teórico mostra-se continuamente revisto e ampliado. Os trabalhos, dotados de agudeza argumentativa, revelam linguagem concisa, precisa, além de sensibilidade na elaboração de imagens conceituais. Os textos sempre almejam a clareza comunicativa, dado relacionado à preocupação da pesquisadora com a educação, com a troca de saberes. Essa característica está na origem do sucesso de sua produção junto a estudantes de Letras no país. Nesse sentido, ressaltam-se os livros Crítica cult, de 2002 e Janelas indiscretas: ensaios de crítica biográfica, de 2011.

Na atuação da mestre, percebe-se o questionamento das noções de fonte e influência pautadas por critérios positivistas e a abertura para relações especializadas, relacionadas a formulações de sentido proporcionadas pela recepção tardia do moderno. Segundo Rachel Esteves Lima:

Contrapondo-se à matriz interpretativa de base sociológica que associava subdesenvolvimento econômico a dependência cultural no cenário intelectual brasileiro, Eneida prefere romper com o pensamento dicotômico que embasa a base disfórica incorporada nessa proposta, valorizando os artistas e críticos que veem de forma positiva o trânsito entre centro e periferia e as diversas esferas de produção cultural. Aposta, assim, na antropofagia, no trabalho das vanguardas e no entrelugar como antídotos para a superação do mal-estar. (LIMA, 2021, p. 27)

Pela avaliação da vasta produção da ensaísta, conhecemos melhor a história do próprio pensamento do país na área de humanas, de linguística, letras e artes das últimas décadas.

O dom da amizade, o prazer do encontro, o gosto pelo compartilhamento de experiências e o incentivo aos jovens pesquisadores são traços da personalidade da professora. Não podemos nos esquecer do quanto cultiva os laços familiares. Amizades com colegas do tempo de estudante, com professores e alunos espraiam-se ao longo dos anos. Relações iniciadas no tempo de criança e adolescência, em Manhuaçu, permanecem muito fortes. Outras foram sendo geradas em seus caminhos pelo país e pelo mundo. Representando todos e todas, gostaria de lembrar, aqui, de diletos amigos e diletas amigas que também foram e são importantes colegas de estudo e trabalho: professora Vera Lúcia Andrade, professora Marília Rothier Cardoso, professor Renato Cordeiro Gomes, professor Wander Melo Miranda. Afetos e parcerias foram tecidos ao longo de muitas jornadas.

A minha admiração pela professora Eneida é imensa. Além de mestre, revela-se amiga dotada de generosidade e caráter hospitaleiro. De seus gestos não se ausentam a firmeza dos posicionamentos, os duros questionamentos intelectuais que nos possibilitam repensar os caminhos seguidos. De Eneida sou discípulo e dela busco, com humildade, herdar diversos aprendizados.

Prezados e prezadas, aqui está um pouco da Eneida, aqui está Manhuaçu, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Paris. Aqui está um exemplo da potencialidade criativa e intelectual do país. Já concluindo, gostaria de citar o último parágrafo do Memorial para Professora titular escrito pela teórica, em 1989. No trecho, Eneida exibe sua confiança em tempos melhores, revela a crença na arma da alegria e da esperança que porta e partilha com todos com quem convive. Cito a professora Emérita:

Diante do sentimento de desalento e desamparo, motivado pelo nosso atual momento cultural e político, conserva-se ainda um fio de luz interior, capaz de abrir as portas da percepção e escancarar as janelas do presente. (SOUZA, 2012, p. 121)

Salve Eneida, crítica de literatura e intérprete do Brasil! Salve a alta qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão das universidades brasileiras. Salve a Associação Brasileira de Literatura Comparada! Que venham novas invenções, novas confecções de nossa costureira e estilista! Parabéns, Eneida, pelo Prêmio Tania Franco Carvalhal!

REFERÊNCIAS

BUENO, Antonio Sérgio. Eneida: a bela construção de um pensamento crítico. Suplemento literário de Minas Gerais. Belo Horizonte, n. 1307, 2007. Disponível em: <http://veredasecenarios.com.br/versao2008/index.php?option=com_content&task=view&id=30&Itemid=59>. Acesso em: 20 set. 2021.

LIMA, Rachel Esteves. O quodlibet de Eneida Maria de Souza: tradição, modernidade e sobrevivência de Narrativas impuras. Pernambuco. Recife, n. 188, p. 27, 2021.

ALKMIM, Paula. Perfil de Eneida Maria de Souza: na carruagem com Eneida. Diversa: Revista da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, n. 20, 2013. Disponível em: <https://www.ufmg.br/diversa/20/perfil-eneida.html>. Acesso em: 5 dez. 2021.

SOUZA, Eneida Maria de. Tempo de pós-crítica: ensaios. 2ª. edição (revista). Belo Horizonte: Veredas & Cenários (Coleção Obras em dobras), 2012.

Nota de Repúdio

A Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC – junta-se ao Grupo de Trabalho História da Literatura, da Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística (ANPOLL), para reforçar a mais profunda e veemente indignação com o desligamento da Profa. Dra. Helena Bonito Couto Pereira do quadro de colaboradores da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

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PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS

Prezados(as) associados(as)

No intuito de dar a oportunidade aos que não conseguiram encaminhar seus artigos até hoje, 4 de novembro, informamos que o prazo para envio dos artigos foi prorrogado até o dia 11 de novembro de 2021.

Artigos enviados após essa data não serão aceitos sob nenhuma hipótese.

PRÊMIO DIRCE CÔRTES RIEDEL GESTÃO 2020–2021

O prêmio ABRALIC de Teses e Dissertações — "Prêmio Dirce Côrtes Riedel" — tem como objetivo reconhecer o mérito de trabalhos acadêmicos na área dos estudos literários, contemplando a melhor dissertação e a melhor tese defendidas entre março de 2019 e maio de 2021.

TESE PREMIADA

ABSTRAÇÃO E INFORMALISMO DEPOIS DE 1945: DE PEDROSA E GREENBERG À NOVA PROSA DE HAROLDO DE CAMPOS

Autor: Jorge Andrés Manzi Cembrano
Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP
Orientação: Jorge Mattos Brito de Almeida

DISSERTAÇÕES PREMIADAS

OS CANTOS TRADICIONAIS YE'KWANA

Autor: Fernando Yekuana Gimenes
Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Roraima
Orientação: Fábio Almeida de Carvalho

O UR-FASCISMO ONTEM E HOJE: APARIÇÕES LITERÁRIAS DE UMA METODOLOGIA DE PODER

Autor: Sergio Schargel Maia de Menezes Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Orientação: Vera Lúcia Follain de Figueiredo

MENÇÃO HONROSA

POR UMA HISTÓRIA EDITORIAL DA POESIA NEGRA/AFRO-BRASILEIRA

Autora: Fabiane Cristine Rodrigues
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Orientação: Luiz Henrique Silva de Oliveira

Neste ano, tivemos 69 trabalhos inscritos: 35 teses e 34 dissertações. O júri foi composto por professores e pesquisadores, de acordo com as regras do concurso estipuladas em edital específico.

Agradecemos aos colegas do júri pela dedicação e seriedade com que leram os trabalhos. Sua colaboração foi fundamental na concessão deste prêmio, que valoriza o conhecimento produzido nos programas de pós-graduação brasileiros na área de Letras.

A tese vencedora foi escolhida dentre 35 teses inscritas e teve pontuação máxima em todos os critérios avaliados. A comissão que avaliou as teses apresentadas teve o seguinte a dizer em seu parecer sobre a vencedora: "Texto metodológica e teoricamente exemplar, bem escrito e com uma proposição inovadora tanto para a leitura dos autores estudados quanto para a área de Literatura Comparada".

Após a leitura de todas as 34 dissertações inscritas, a comissão que avaliou os trabalhos justificou sua decisão da seguinte forma:

a) o reconhecimento de que os trabalhos escolhidos suprem lacunas na produção de conhecimento circulante, de modo a apresentarem evidente interesse editorial, no sentido de gerar publicações que possam ser indicadas em disciplinas formativas de novos/as comparatistas, seja na graduação, seja na pós-graduação;

b) a escolha de temas, metodologias e/ou aproximações críticas relevantes e originais, que colocam o conhecimento produzido por estas investigações em uma condição de simultânea coragem e ousadia epistêmicas, colaborando para o alargamento do campo de alcance dos estudos comparatistas;

c) o evidente comprometimento simultaneamente ético e científico na construção global das questões de pesquisa apresentadas, de modo a situar os resultados das dissertações nas fronteiras disciplinares dos estudos literários de índole comparatista com outros campos de conhecimento.

Normas para envio dos artigos do Congresso Internacional ABRALIC 2021

Os participantes do Congresso da ABRALIC de 2021 que apresentaram uma comunicação nos simpósios podem submeter seus artigos referentes à apresentação a partir do dia 11 de outubro e até o dia 4 de novembro de 2021 para avaliação da comissão organizadora.

Os textos aceitos pela comissão serão publicados na forma de capítulos de livro em uma coleção de e-books — um projeto que conta com uma equipe de pareceristas e com a atuação de uma comissão editorial e que resultará em volumes com número autônomo de ISBN.

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PROGRAMAÇÃO CULTURAL

OLINDA ALLESSANDRINI
DATA: 4 de outubro, 17h30 - 18h30
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/H41RbuhhNYY

LEANDRO MAIA
DATA: 7 de outubro, 17h30 - 18h30

MARINA DE OLIVEIRA
DATA: 8 de outubro, 17h30 - 18h30
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/5lTIs2RRN7M

MESAS E CONFERÊNCIAS 2021

Conferência de Abertura - "Lugar de fala acadêmico"

CONVIDADO(A)S: Heloísa Buarque de Holanda
DATA: 4 de outubro, das 10h às 12h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/NMbrSpEnaPA

Literatura Comparada hoje: estado da arte

CONVIDADO(A)S: Zulma Palermo – Salta (Argentina), Rita T. Schmidt – UFRGS, Eduardo Coutinho – UFF/UFRJ
DATA: 4 de outubro, das 14h às 16h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/I-9j51nlycI

Tradução e poesia

CONVIDADO(A)S: Johnny Lorenz – Montclair University, Francesca Cricelli – USP, Jeffrey Angles – Western Michigan
DATA: 5 de outubro, das 10h às 12h
TRANSMISSÃO:
https://youtu.be/vcDaYkc5ZaE
https://youtu.be/oN188uHTYtw (em português)

Humanidades: tecnologias e linguagens

CONVIDADO(A)S: Alckmar Luiz dos Santos – UFSC, Alberto Pucheu – UFRJ, Leila Lehnen – Brown University
DATA: 5 de outubro, das 14h às 16h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/6yzMhR0AT0s

Literatura e ensino

CONVIDADO(A)S: Ana Crelia Dias – UFRJ, Benedito Antunes – UNESP, Fabiane Verardi – UPF
DATA: 6 de outubro, das 10h às 12h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/3RSjWxGnpsM

Territórios periféricos e resistências críticas

CONVIDADO(A)S: Rachel Lima – UFBA, Amilton José Freire de Queiroz – UFAC, Jurema Oliveira – UFES – "Ancestralidade, pan-africanismo, afro-brasilidade"
DATA: 6 de outubro, das 14h às 16h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/My1YG1uIo0Q

Transidentidades na literatura

CONVIDADO(A)S: Dennys Silva-Reis – UFAC, Amara Moira – UNICAMP, Feibriss Henrique Meneghelli Cassilhas – UFBA
DATA: 7 de outubro, das 10h às 12h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/lIV01JU39Zc

Culturas indígenas e Poéticas da Alteridade

CONVIDADO(A)S: Edson Kayapó, Rita Godet – Sorbonne, Maria Esther Maciel – UFMG
DATA: 7 de outubro, das 14h às 16h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/4ohRgKmsk6k

Literatura: modos de habitar o mundo

CONVIDADO(A)S: Julián Fuks (SP), Micheliny Verunschk (PE), Carola Saavedra (Köln, Alemanha)
DATA: 8 de outubro, das 10h às 12h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/kyyhlfJKzHQ

Conferência de Encerramento - "Literatura Comparada e as literaturas do mundo"

CONVIDADO(A)S: Ottmar Ette
DATA: 8 de outubro, das 15h às 17h
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/ywWykD1WyT0

Momento Cultural: Olinda Alessandrini

DATA: 4 de outubro, 17h30
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/H41RbuhhNYY

Momento Cultural: Marina de Oliveira

DATA: 8 de outubro, 17h30
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/5lTIs2RRN7M

NOTA SOBRE COMISSÃO CANCELADA

Porto Alegre, 17 de setembro de 2021.

A Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC) vem a público manifestar seu desacordo com o movimento de destituição do CTC-ES da CAPES, especialmente nesse momento da avaliação quadrienal, e manifestar seu apoio às moções e notas publicadas recentemente nos documentos disponíveis nos links abaixo:

- Nota de esclarecimento à comunidade acadêmica incorporadas assinaturas e complementações - 17/9/2021

- Manifesto da ABEC Brasil contra a Portaria nº. 145 de 10 de setembro de 2021;

- Carta ABERTA FCHSSALLA - CTC CAPES;

- Carta de Apoio do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação Interdisciplinares do Brasil aos Membros do CTC-ES (Conselho Técnico-Científico da Educação Superior) da CAPES;

Entendemos que é preciso transparência e respeito aos ritos no desempenho das funções avaliativas de nosso sistema de educação superior e nos solidarizamos com os colegas e com as instituições afetadas pela Portaria nº. 145 de 10 de setembro de 2021, especialmente os membros do CTC-ES.

A direção.

EXPOSIÇÃO DE PÔSTERES CONGRESSO 2021

A ABRALIC tem a satisfação de anunciar que os pôsteres do congresso de 2021 já estão em nossa página. Os trabalhos apresentam as pesquisas desenvolvidas por estudantes de graduação e recém graduados, e podem ser acessados na página do Congresso da ABRALIC no link http://congresso.abralic.org.br/posteres/

PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA PAGAMENTO DA INSCRIÇÃO E ANUIDADE

Prezados(as) participantes do Congresso Internacional ABRALIC de 2021

Informamos que o prazo para pagamento da inscrição e da anuidade dos participantes com comunicação e dos coordenadores de simpósio foi prorrogado até dia 20 de agosto (sexta-feira). Não serão aceitos pedidos de pagamento após este prazo.

PRORROGAÇÃO PRAZO PAGAMENTO: PÔSTER E OUVINTE

Prezados participantes do Congresso de 2021

Lembramos que o prazo para pagamento das inscrições e anuidades de 2021 termina dia 15/08.

Apenas as inscrições nas modalidades pôster e ouvintes serão prorrogadas:

LANÇAMENTO DE LIVROS ABRALIC 2021

A Associação Brasileira de Literatura Comparada abre as inscrições para interessados em realizar lançamentos de livros no Congresso Internacional de 2021. As inscrições estarão abertas até dia 7 de outubro, e os interessados deverão preencher a ficha de inscrição disponível no site da ABRALIC. Os livros aceitos permanecerão em exposição no site do Congresso até o final do evento. Os interessados devem ser associados da ABRALIC.

INSCRIÇÕES

ABERTURA DE INSCRIÇÕES PARA OUVINTES

Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC) anuncia a abertura das inscrições para participantes na modalidade de ouvintes.

Os participantes ouvintes poderão participar dos minicursos nas salas virtuais e acompanhar todas as demais atividades abertas do Congresso de 2021 por meio do nosso canal do YouTube, com emissão de certificado ao final do evento.

Para fazer a inscrição como ouvinte não é necessário ser associado, apenas efetuar a inscrição no valor de 25 reais. O prazo de pagamento vai até dia 15 de agosto. Para se inscrever, basta acessar o site da ABRALIC, informar os dados pedidos no cadastro e efetuar o pagamento da inscrição no menu FINANCEIRO.

Todos os ouvintes receberão certificado de participação, que será disponibilizado diretamente na plataforma da ABRALIC.

O Congresso ocorrerá de 23 de agosto a 8 de outubro de 2021, e a programação inclui minicursos, conferências, mesas-redondas e atrações culturais que serão oferecidas por meio do site do Congresso. Acesse a programação completa em nosso site.

CERTIFICADO DE ASSOCIAÇÃO

Prezados e prezadas participantes da ABRALIC

Temos a satisfação de informar que agora a ABRALIC disponibiliza certificado de associação a seus afiliados e afiliadas. O certificado comprova que o participante está ativo como membro da ABRALIC neste ano de 2021, e a afiliação pode ser incluída nos currículos acadêmicos.

Para obter seu certificado, basta fazer login no site da ABRALIC (abralic.org.br) e acessar o menu FINANCEIRO.

Ou, para se associar, acesse nosso site e cadastre-se! 
https://abralic.org.br/inscricao/associado/