História

  1. 1985

    Decisão de criar a Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC, tomada durante o XI Congresso da Associação Internacional de Literatura Comparada, realizado em Paris.

  2. 1986

    Fundação da ABRALIC, no Seminário Latino-Americano de Literatura Comparada, em Porto Alegre

  3. 1987

    Lançamento do número 1 do Boletim Contraponto, primeira publicação da ABRALIC.

  4. 1988

    I Congresso – UFRGS, Porto Alegre: Intertextualidade e interdisciplinaridade.

  5. 1990

    II Congresso – UFMG, Belo Horizonte: Literatura e memória cultural.

  6. 1991

    Lançamento do primeiro número da Revista Brasileira de Literatura Comparada

  7. 1992

    III Congresso – UFF, Niterói: Limites.

  8. 1994

    IV Congresso – USP, São Paulo: Literatura & diferença.

  9. 1996

    V Congresso – UFRJ, Rio de Janeiro: Cânones e contextos.

  10. 1998

    VI Congresso – UFSC, Florianópolis: Literatura Comparada.

  11. 2000

    VII Congresso – UFBA, Salvador: Terras & Gentes.

  12. 2002

    VIII Congresso – UFMG, Belo Horizonte: Mediações.

  13. 2004

    IX Congresso – UFRGS, Porto Alegre: Travessias.

  14. 2006

    A Revista Brasileira de Literatura Comparada, passa a ter periodicidade semestral. X Congresso – UERJ, Rio de Janeiro: Lugares dos discursos.

  15. 2008

    XI Congresso – USP, São Paulo: Tessituras, interações, convergências.

  16. 2011

    CENTRO, CENTROS – ÉTICA E ESTÉTICA, foi o tema do XII Congresso Internacional da ABRALIC, realizado entre 18 e 22 de julho de 2011, no campus da Reitoria da UFPR, em Curitiba. Presidido por Marilene Weinhardt, o evento coincidiu com os 25 anos de fundação da entidade. A partir do início dos anos de 1990, os estudos comparatistas foram tomados por uma forte desconfiança, de natureza ética, que levou a disciplina a questionar tanto seu objeto – a literatura – quanto alguns de seus pressupostos básicos – a centralidade do estético, o conceito de nacional. Ao iniciar-se a segunda década do século XXI, era tempo de revisitar esse objeto e, sob novas perspectivas, seu campo conceitual. Sem abrir mão das desconfianças, por um lado, e, por outro, tirando partido do lugar que o Brasil passou a ocupar, o momento tornou-se propício para discutir a retomada da centralidade dos Estudos Literários para a Literatura Comparada e o papel das teorias nesse contexto, além da própria lógica centro-periferia. Num mesmo movimento, o centro e os centros, o ético e o estético.

  17. 2012

    XIII Encontro da ABRALIC - 10 a 12 de Outubro de 2012, Campina Grande - PB

  18. 2013

    XIII Congresso Internacional ABRALIC - 08 a 12 de Julho de 2013, Campina Grande - PB

  19. 2014

    XIV Encontro da ABRALIC - 24, 25 e 26 de Setembro de 2014, UFPA, BELÉM - PA

  20. 2015

    XIV Congresso Internacional ABRALIC - 29 de Junho a 03 de Julho de 2015 UFPA, BELÉM - PA

  21. 2016

    XV ENCONTRO ABRALIC - "Experiências literárias, textualidades contemporâneas"

    19 a 23 setembro de 2016 UERJ - RIO DE JANEIRO

No verão europeu de 1985, Paris foi sede do XI Congresso da Associação Internacional de Literatura Comparada. As salas da antiga Sorbonne foram escassas para o número de participantes. Nelas circularam especialistas vindos de todos os lugares e era possível encontrar figuras chaves na história do comparatismo. Para os jovens estudiosos, principalmente aqueles oriundos de países como o Brasil, a participação no Congresso da AILC/ICLA significou integrarem-se em um universo de debates onde cruzavam-se línguas, culturas e diversas vertentes metodológicas.

Naquele agosto de 1985, na Place de la Sorbonne, os brasileiros presentes decidiram criar a Associação Brasileira de Literatura Comparada. Assim, a ABRALIC surgiu em 1986, em Porto Alegre, no âmbito do I Seminário Latino-americano de Literatura Comparada, realizado de 8 a 10 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a participação de comparatistas europeus e latino-americanos. A imagem reproduzida no cartaz, nos folders e, depois, nos Anais, era expressiva: o fragmento da cena canibalesca que emoldura a reedição fac-similada da Revista de Antropofagia em suas "dentições" de 1928 e 1929. A Antropofagia foi então o emblema, por sua radicalidade estética e enquanto proposta de reinterpretação cultural do país.

Já no I Congresso da ABRALIC, Antonio Candido definiu de forma exemplar o sentido da Associação, ao caracterizá-la como uma "entidade que representa uma fase nova da disciplina em nosso meio. [...] Penso que a Associação Brasileira de Literatura Comparada, ABRALIC, encerra o período que começou pelas manifestações espontâneas, passou mais tarde à prática individualizada, antes de alcançar o reconhecimento institucional. [...] Mas faltava algo importante, e eu diria decisivo: a consciência profissional específica, que se adquire e fortalece sobretudo pelo intercâmbio, os periódicos especializados e a vida associativa, marcada por encontros, simpósios e congressos. Foi o que começou com a ABRALIC."

O I Congresso, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre 1o e 4 de junho de 1988, sob a presidência de Tânia Franco Carvalhal, teve como tema Intertextualidade e Interdisciplinaridade. A riqueza das abordagens e a presença de comparatistas portugueses, franceses, norte-americanos, alemães, italianos, canadenses, belgas e espanhóis firmaram a ABRALIC como ponto de referência obrigatório na cartografia comparatista.

Sob a presidência de Eneida Maria de Souza, realizou-se o II Congresso da ABRALIC, em Belo Horizonte, entre 8 e 10 de agosto de 1990, com o tema Literatura e Memória Cultural. Coube à segunda Diretoria da ABRALIC transformar o Boletim inicial, intitulado Contraponto, em uma revista brasileira de literatura comparada, que tem hoje quatro números editados. Em 1990 a ABRALIC já se transformara na associação de estudiosos de literatura numericamente mais expressiva no Brasil.

O III Congresso, realizado de 10 a 12 de agosto de 1992, na Universidade Federal Fluminense, Niterói-RJ, sob a presidência de Silviano Santiago, escolheu como temática Limites. A Nota Prévia ao primeiro dos dois volumes dos Anais explica-a: "na produção teórica e analítica dos companheiros de letras, estão temas que caminham tanto para a interdisciplinaridade quanto para a intertextualidade, e, ainda, para uma possível intercomunicação entre os vários discursos artísticos." A terceira Diretoria da ABRALIC realizou também três eventos de pequeno porte em 1991. De um deles, organizado em Florianópolis por Raúl Antelo, resultou o volume Identidade e Representação, publicado em 1994.

O IV Congresso da ABRALIC ocorreu na Universidade de São Paulo, entre 31 de julho e 3 de agosto de 1994, sob a presidência de Benjamin Abdalla Júnior. O tema escolhido foi Literatura e Diferença. Na Apresentação dos Anais, ressaltam-se, no conjunto das exposições, "trabalhos em que a circulação literária foi pesquisada e estudada com ênfase no descentramento de óptica, de forma a se analisar, com os pés na periferia, as imbricações entre o regional e o nacional, entre o nacional e o supranacional e entre a série literária e as demais séries culturais.

A ABRALIC, sob a presidência de Eduardo de Faria Coutinho, realizou o V Congresso com o tema Cânones e Contextos, entre 31 de julho a 3 de agosto de 1996 na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Da diversidade de trabalhos apresentados, delineou-se, nessa oportunidade, o debate entre duas vertentes de abordagem dentro do campo comparatista no Brasil: a centralidade da própria literatura nos estudos contemporâneos e a abertura para enfoques culturais.

Sob a presidência de Raúl Antelo, foi organizado o VI Congresso da ABRALIC em Florianópolis, entre 19 e 22 de agosto de 1998, explicitamente destinado a ampliar e aprofundar a discussão iniciada em 1996, como bem indicava a temática: Literatura Comparada = Estudos Culturais? Sua chamada de trabalhos foi instigante: "Ao avaliar as abordagens horizontais (de texto a texto) como práticas ultrapassadas, na medida em que percebe a tendência inegável dos estudos literários na direção das abordagens verticais (que vinculam o local e global), a ABRALIC propõe que se questionem hierarquias e mediações, acumulações diferenciais de poder e prestígio, linguagens e valores." A afluência espontânea de pesquisadores de todas as partes do continente atestou, nesse VI Congresso, que a ABRALIC é atualmente a principal entidade da América Latina em sua área.

Tendo como tema Terras & Gentes, no período de 25 a 28 de julho de 2000, em Salvador, realizou-se o VII Congresso da ABRALIC, sob a presidência de Evelina Hoisel. No contexto das comemorações dos 500 anos do Brasil e envolvendo cerca de 900 participantes, o VII Congresso possibilitou uma reflexão dissonante e desconstrutora, aliada a um fértil debate sobre nação, viagens, trânsitos, culturas, identidades, globalização, diásporas, transnacionalidades, distopias, raças, gêneros e etnias.

MEDIAÇÕES foi o tema do VIII Congresso Internacional da ABRALIC, realizado no período de 23 a 26 de julho de 2002, no campus Pampulha da UFMG, em Belo Horizonte. Sob a presidência de Reinaldo Marques, o congresso tratou do papel de diferentes instâncias de mediação nos processos de construção de valores na cultura e na arte, em geral, e na literatura, em particular. Tomando-se as mediações como lugares de produção de valores, procurou-se refletir sobre a ação de diversos mediadores culturais nos processos de avaliação crítica, envolvendo a participação de múltiplas instâncias - territórios, redes, mercado, políticas, agentes.

Fonte: Adaptado de Tania Franco Carvalhal, "Dez Anos da ABRALIC (1986-1996): Elementos para Sua História". Organon (UFRGS), Vol.10, No. 24, 1996.