ESTUDOS LITERÁRIOS E OUTORS SABERES: UMA VISÃO SISTÊMICA

SIMPÓSIO - ST27

COORDENADORES

Maria Ivonete Santos Silva (Universidade Federal de Uberlândia)
Carlos-Germán van der Linde (Universidad de La Salle)
Tatiele da Cunha Freitas (Universidade Federal de Uberlândia)

RESUMO

A proposição deste simpósio, pautado na teoria sistêmica do físico austríaco Fritjof Capra (2005), objetiva promover o diálogo entre os estudos literários e os demais campos do saber, em uma visão integrada da literatura nas manifestações culturais inseridas em um contexto mais amplo do qual é interdependente. A teoria sistêmica de Fritjof Capra (2003, 2005, 2006, 2014) e Pier Luigi Luisi (2014) parte do pressuposto de que o mundo possui uma lógica fundamentada em interrelações cuja compreensão mecanicista de causa e efeito que os modelos sociais e científicos de base cartesiana têm imposto à sociedade se torna ineficiente em demonstrar e explicar o mundo. Para o físico, a vida, em sentido amplo, funciona como uma teia, como uma rede, cabendo aos seres modificar-se e renovar-se de forma que haja continuidade. Em suas próprias palavras: É essa a chave da definição sistêmica da vida: as redes vivas criam ou recriam a si mesmas continuamente mediante transformação ou substituição dos seus componentes. Dessa maneira, sofrem mudanças estruturais contínuas ao mesmo tempo que preservam seus padrões de organização, que sempre se assemelham a teias. A interpretação do mundo e da vida em si como redes vivas em processos de criar-se e recriar-se é a chave para entender a teoria sistêmica. Compreender e pensar sistemicamente leva ao reconhecimento do “ser” em seu contexto (CAPRA, 2005, p. 27). De acordo com Capra, a percepção que ele propõe do mundo se pauta na tomada de consciência deste estado de interdependência próprio dos fenômenos físicos, psicológicos, biológicos, sociais e culturais. Como salientado na citação, o físico percebe os sistemas como totalidades integradas que não podem ser reduzidas a unidades menores. Se o sistema for fragmentado e seus elementos forem analisados isoladamente, as propriedades sistêmicas desaparecem. O teórico usa a imagem de uma “árvore sistêmica” para representar as relações existentes entre os diferentes níveis, com o objetivo de demonstrar que essas interligações e interdependências se encontram presentes e que podem transitar tanto de forma ascendente quanto descendente. A maioria dos sistemas vivos exibem modelos de organização em múltiplos níveis, caracterizados por muitos e intrincados percursos não-lineares, ao longo dos quais se propagam sinais de informação e transação entre todos os níveis, tanto ascendentes quanto descendentes. (...) [a] árvore [é o] símbolo mais apropriado para a natureza ecológica da estratificação nos sistemas vivos. Assim como uma árvore real extrai seu alimento tanto através das raízes como das folhas, também a energia numa árvore sistêmica flui em ambas as direções, sem que uma extremidade domine a outra, sendo que todos os níveis interagem em harmonia, interdependentes, para sustentar o funcionamento do todo (CAPRA, 2006, p.274). A teoria proposta por Capra e Luisi, especialmente na obra A visão sistêmica da vida (2014), relaciona-se à literatura quando fornece uma compreensão para a análise literária ligada à realidade visando a compreensão tanto do mundo como das ações do sujeito, exigindo do leitor um olhar aguçado, uma vez que se trabalha com conceitos e modelos interligados, envolvendo os fenômenos das mais variadas esferas da vida. Além disso, a visão sistêmica provoca uma gama de ricas reflexões, pois a literatura deixa de se configurar apenas como um conjunto de textos, e passa a abarcar um agrupamento de atividades que, como um todo, constitui um sistema interagindo com outros sistemas. Ainda, a partir da visão sistêmica, estudantes, leitores e pesquisadores são levados a ter uma visão social e cultural ampla, quando vislumbram elementos simbólicos como bens materiais, valorizados pelas diferentes instituições. Tal postura implica repensar os textos como construções de um agente, inseridos em determinado contexto social, por sua vez relacionados a um discurso de poder construído a partir de certo repertório aceitável e legitimado por distintas instituições. Desse modo, a teoria sistêmica rompe com uma tradicional hierarquização da leitura, para a qual há modelos “interpretativos” que pressupõem a imanência dos textos, não sendo necessário questioná-los ou investigá-los em sua materialidade, restando somente decifrar seus segredos. O rompimento de hierarquias não rompe com o respeito e o prestígio dos poetas pertencentes ao cânone; mas muda a abordagem de análise, estudando as obras canônicas sob uma perspectiva mais ampla porque propicia questionar a influência que determinado autor causou no sistema, o repertório do qual se apropriou e a recepção da sua obra tanto na época de sua publicação como nos dias de hoje. Tais questionamentos permitem a inserção de um conjunto de questões econômicas, políticas e culturais no processo interpretativo, sem que a abordagem relativa ao estudo da tradição impeça a reflexão sobre o presente, porque o sistema literário não é uma realidade homogênea; seus elementos e funções configuram-se sistemas não hierarquizados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 8ª ed. São Paulo: Cultrix, 2003. CAPRA, F. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2005. CAPRA, Fritjof. et al. Alfabetização ecológica – a educação das crianças para um mundo sustentável. Michael K. Stose; Zenobia Barlow (Org.). São Paulo: Cultrix, 2006. CAPRA, Fritjof e LUISI, Pier Luigi. A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações filosóficas, políticas, sociais e econômicas. São Paulo: Cultrix, 2014.

PALAVRAS-CHAVE

Capra e Luisi; Visão Sistêmica; Estudos Literários; Literaturas e Outros saberes.

PROGRAMAÇÃO

S01 08/09 17h-19h - https://youtu.be/mFZLHurYwAw

S02 09/09 17h-19h - https://youtu.be/raoNh1o-kTE

S03 10/09 17h-19h - https://youtu.be/18U9gsT_Jvc