LITERATURA INFANTIL E JUVENIL BRASILEIRA NA CONTEMPORANEIDADE: DIÁLOGOS TRANSDISCIPLINARES

SIMPÓSIO - ST50

COORDENADORES

Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira (Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP)
Diana Navas (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC)
DIÓGENES BUENOS AIRES DE CARVALHO (Universidade Estadual do Piauí- UESPI)

RESUMO

A produção literária brasileira para crianças e jovens, na atualidade, apresenta um volume de lançamentos muito representativo no mercado editorial, o que representa a força dessa literatura no âmbito do campo literário, na perspectiva de Pierre Bourdieu (cf. A Economia das Trocas Simbólicas. Trad. Sérgio Miceli et al. Introdução Sérgio Miceli. São Paulo: Perspectiva, 1992; cf. As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1996; cf. O Poder Simbólico. Trad. Fernando Tomaz. 2.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998 ), bem como a constituição de um habitus que a conforma como um subcampo, o da literatura infantil e juvenil. A partir desse locus, tal produção está cercada de diferentes agentes sociais e culturais, tais como a família, a escola, a editora, a livraria, a biblioteca, que a legitimam, a colocam em circulação, e propiciam o diálogo entre autor, obra e leitor, configurando um sistema literário, na acepção de Antonio Candido (cf. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte: Itatiaia, 1993. v.2), que teve como origem o projeto editorial de Monteiro Lobato, na década de 1920, com a publicação da obra "Reinações de Narizinho", direcionada inicialmente para o público escolar. Seus sucessores, como Ruth Rocha, Marina Colasanti, Lygia Bojunga Nunes, Ana Maria Machado, Roger Mello, entre outros, ajudaram a consolidar esse sistema. Entre esses escritores, muitos romperam fronteiras com sua produção literária e foram reconhecidos com o Prêmio Hans Cristhian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil e juvenil. Nesse circuito literário ocorre uma efervescência de vozes que resulta numa polifonia, consoante aos estudos de Mikhail Bakthin (cf. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981), que conferem sustentação a uma multiplicidade de experiências literárias a partir dos diferentes aspectos em torno da criação e da recepção literárias. Isso implica em experimentações artísticas cada vez mais sofisticadas, que desafiam tanto o autor no seu fazer literário, quanto o leitor no ato da leitura. Por conseguinte, essa produção apresenta textualidades que rompem barreiras linguísticas, estilísticas, e temáticas em que: a) o continuum oralidade e escrita propicia o transito entre tais modalidades da língua, b) as experimentações linguísticas revelam diferentes estilos de composição poética e narrativa, c) não há mais assunto que não possa ser abordado, desde os mais corriqueiros aos mais polêmicos, pois tudo pode ser dialogado com o leitor infantil e juvenil, d) a materialidade da obra significa. Muitas dessas obras inovadoras quanto ao projeto gráfico-editorial também exploram a diversidade de linguagens (verbal, visual, sonora) em suportes impressos e virtuais, que exigem do leitor um domínio de tais linguagens, visto que ocorre uma simultaneidade dessas modalidades de linguagem que desafiam a uma produção coerente de efeitos de sentidos por parte do receptor. Diante desse contexto, o presente simpósio pretende colocar em pauta uma discussão que envolve tanto o processo de criação quanto de recepção, haja vista que as experiências literárias envolvem especificidades e particularidades engendradas pelo autor no seu fazer literário, que parece ser para os menos avisados um processo solitário, quando, na verdade, giram em torno dele um conjunto de atores como editores, revisores, tradutores e ilustradores que, igualmente, interferem no produto final, o livro. No que tange à questão da autoria, tem-se uma situação em que esta não é definida apenas pelo trabalho do autor do texto verbal, mas também do autor do texto imagético e do tradutor, que nem sempre é a mesma pessoa, muito embora tenhamos exemplos de sujeitos que assumem a dupla autoria, como Roger Mello e André Neves. Essa múltipla autoria é, conforme Roger Chartier (cf. As revoluções da leitura no ocidente. In: ABREU, Márcia (Org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas: Mercado de Letras, 1999 ), percebida na produção literária eletrônica, já que exige uma vasta infraestrutura tecnológica e humana para materializar o literário numa perspectiva virtual, logo a textualidade que essa literatura digital propicia é marcada pela hipertextualidade e pela hipermídia, a exemplo das criações digitais de Angela Lago e Sérgio Capparelli. Além disso, acarreta mudanças no processo de recepção, que, inicialmente, segue um percurso linear, para, posteriormente, seguir um percurso não linear, quebrando, assim, a lógica tradicional da leitura do texto literário. É um repensar do papel do leitor diante dessas novas textualidades, que exigem dele novas competências e habilidades para navegar por espaços movediços e virtuais, assumindo a posição de leitor imersivo, de acordo com Lúcia Santaella (cf. Navegar no Ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo, Paulos, 2004).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981. BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas. Trad. Sérgio Miceli et al. Introdução Sérgio Miceli. São Paulo: Perspectiva, 1992. ______. As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. ______. O Poder Simbólico. Trad. Fernando Tomaz. 2.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte: Itatiaia, 1993. v.2 CHARTIER, Roger. As revoluções da leitura no ocidente. In: ABREU, Márcia (Org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas: Mercado de Letras, 1999. SANTAELLA, Lúcia. Navegar no Ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo, Paulos, 2004.

PALAVRAS-CHAVE

Literatura infantil e juvenil contemporânea; Formação de leitores; Campo literário.

PROGRAMAÇÃO

S01 01/09 13h30-18h - https://youtu.be/Jjwdii05jGs

S02 02/09 13h30-18h - https://youtu.be/28MPZZDLYdY

S03 03/09 13h30-18h - https://youtu.be/Ao13Rs4rv7U