LITERATURA E ALTERIDADE: TRANSITANDO ENTRE O DOCUMENTO E A FICÇÃO

SIMPÓSIO - ST40

COORDENADORES

Simone Maria Bacellar Moreira (UERJ/FFP)
Francois Weigel (Universidade federal do Rio Grande do Norte)
Stela Maria Sardinha Chagas de Moraes (UERJ)

RESUMO

O desenvolvimento dos meios de difusão e, em particular, da imprensa, além da consequente ampliação do público leitor ocorrida no século XIX, parecem ter não só acentuado, mas também alargado o campo dessa manifestação artística a que convencionamos chamar literatura. Considerando a arte literária como um processo, desde o advento da palavra escrita, não podemos esquecer as mudanças que ocorreram e continuam a ocorrer no que tange, por exemplo, aos gêneros do discurso e à relação com outras áreas e suportes textuais. No último encontro da ABRALIC, tivemos a oportunidade de debater o estudo da narrativa em diversos campos, tais como, romances, relatos, contos, fábulas, crônicas, diários. Nesta edição de 2021, intentamos dar continuidade a essas reflexões, sempre abertos para o diálogo com outros textos, de outras disciplinas das ciências sociais, como história, antropologia, sociologia, psicologia, filosofia, de forma a melhor podermos investigar as imbricações e indagações propiciadas pela narrativa literária em outras áreas do saber e, inversamente, de que maneira os questionamentos suscitados pelos textos dessas outras disciplinas proporcionam debates e/ou embasamento para os textos literários. De fato, se a questão que alicerça nosso simpósio é a que intitula uma das obras-mestras de Sartre (1947) – “Qu´est-ce que la littérature?”, reconhecemos que se trata de uma indagação que se desdobra em uma série quase infinita de outros questionamentos que, por sua vez, se prestam cada vez mais a respostas múltiplas e variadas. Em um mundo em que a tecnologia parece reger não só a circulação de ideias e a troca de influências, mas também a implantação de “verdades absolutas” e a “negação da ciência”, ainda há lugar para a literatura? Em que medida os novos suportes e abordagens da escrita e leitura são elementos enriquecedores para a literatura? Esses novos suportes e as novas abordagens da escrita são elementos suficientes para a constituição de uma nova linhagem de leitores? Quais as fronteiras entre literatura digital e literatura digitalizada? Em que medida obras literárias produzidas na e para a rede apontam para um novo leitor? Até que ponto podemos estabelecer relações entre os estudos literários e demais artes ou disciplinas das ciências sociais no sentido de sedimentar conhecimentos ampliando o campo da visão? É pertinente falar em relações transdisciplinares? Essa troca de olhares entre o mesmo e o outro direciona o foco de nosso simpósio também para estudos de interfaces com as artes, cênicas e visuais, além de histórias em quadrinho e música, dentre outras possibilidades. Pretendemos dialogar com pesquisas relacionadas aos conceitos de subjetividade, ficcionalidade, gênero e imaginário, abrangendo narrativas da modernidade a partir do século XIX, confrontando textos estrangeiros e brasileiros, na interpretação literal da oposição mesmo/outro, bem como na concepção metafórica de outro, que abrange a questão de gênero, culturas, etnias, sempre a partir do ponto de vista do cruzamento de olhares, entre o mesmo e o outro. Levando em conta as nossas experiências literárias do passado, como fazer face às textualidades contemporâneas, no diálogo com as literaturas e teorias europeias, americanas, latino-americanas, africanas...? É importante assinalar que o recente desaparecimento de Alfredo Bosi nos leva, mais do que nunca, a reflexões sobre a literatura brasileira, desde sua gênese, passando por suas múltiplas manifestações e suportes e apontando para o seu futuro. A questão de base - “Como entendemos a literatura no Brasil, hoje?”- apesar de sua aparente simplicidade, nos parece de grande pertinência, bem como seus desdobramentos. Em um mundo em que, graças à tecnologia, categorias como tempo e distância tomam feições cada vez mais fluidas e em que a circulação de ideias e a troca de influências são cada vez mais instantâneas, cabe ainda falar em literaturas nacionais e, de maneira mais específica, em literatura brasileira? Qual a função do estudo da literatura, hoje, na escola e na universidade? Os jovens de hoje leem? O que leem? Por quê? Novos pressupostos teóricos seriam necessários para podermos estudar as mudanças comportamentais na produção e recepção das obras literárias em meio digital? Caberia pensarmos em um cruzamento de olhares entre as obras produzidas e difundidas pelas mídias digitais e aquelas que, circulando na rede, utilizam a Internet como veículo de difusão? Dentre tantas questões, duas parecem primordiais considerando a retomada das aulas no Brasil pós-pandemia: o e-letramento capacitará realmente os usuários da rede à leitura das obras literárias em meio digital? E como formar novos leitores? Tais questões nos parecem de vital importância para refletirmos tanto o papel da literatura quanto o da internet na educação atual, além da relevância da troca de olhares no estudo da narrativa. O debate e a reflexão sobre esses temas podem não nos trazer respostas concludentes, mas, com certeza, trarão avanços em direção a uma maior compreensão desta questão que nos instiga: o que é e para que serve a literatura no mundo de hoje.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SARTRE, Jean-Paul. Qu´est-ce que la littérature?. Paris: Éditions Gallimard, 1947.

PALAVRAS-CHAVE

NARRATIVA; CRUZAMENTO DE OLHARES; LITERATURA EM MEIO DIGITAL; TRANSDISCIPLINARIDADE.

PROGRAMAÇÃO

S01 02/09 10h-12h - https://youtu.be/_nQTY5qruIY

S02 02/09 15h-17h - https://youtu.be/5CX5MsvJJ6E

S03 03/09 10h-12h - https://youtu.be/DmElFu2sr3I

S04 03/09 15h-17h - https://youtu.be/MkP1QhQkZNY