TRADUZIR E RETRADUZIR AUTORES CLÁSSICOS DE EXPRESSÃO ALEMÃ: INTERFACES NA ZONA DE TENSÃO COM A CONTEMPORANEIDADE

SIMPÓSIO - ST83

COORDENADORES

Magali dos Santos Moura (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
PEDRO HELIODORO DE MORAES BRANCO TAVARES (Universidade Federal de Santa Catarina)
Tito Lívio Cruz Romão (Universidade Federal do Ceará)

RESUMO

Nas últimas décadas, o envolvimento com a atividade da tradução vem alcançando um crescente destaque entre as diversas atividades que já vinham sendo realizadas, no Brasil, por professores universitários e membros da academia em geral. É voz corrente que grande parte das traduções ditas literárias, mas também as traduções realizadas em áreas de contato com a Literatura Comparada, tais como a Psicanálise e a Filosofia, são levadas a cabo, preponderantemente, por docentes. Talvez uma explicação para esse fato resida, por exemplo, em questões de cunho meramente econômico: dado o alto grau de complexidade da tradução de textos oriundos das áreas recém-mencionadas, a relação custo-benefício, na hora de se assinar um contrato de tradução com uma editora, em geral não parece ser muito atraente para tradutores ditos profissionais. Esclareça-se, a esse respeito, que não existe, no nosso país, nenhuma associação que congregue especificamente tradutores editoriais em geral ou literários em particular. Falta, portanto, uma representação para essa classe de profissionais. Dessa maneira, tanto na vasta área da Germanística, com seus limites que avançam para áreas como a Psicanálise, a Filosofia, a História, as Ciências Sociais etc., não se procede de modo diferente: vários docentes têm desenvolvido atividades tradutórias, que não se resumem apenas ao ato de traduzir, mas que se inserem em diferentes formatos de apresentação e formas de atuação: a) desenvolvem e capitaneiam projetos editoriais, com editoras particulares ou de suas respectivas IES; b) propõem projetos de extensão com foco voltado para a tradução ou a retradução de textos literários de expressão alemã; c) criam e efetuam pesquisas que envolvem a tradução ou a retradução de obras clássicas e/ou canônicas, assim como de textos críticos seminais de escritores germanófonos, não apenas os já conhecidos do grande público, mas também aqueles cujas contribuições ainda são pouco difundidas em nosso país, entre outros. Essas atividades não se restringem, portanto, apenas a traduções inéditas, mas também abrangem retraduções e reedições críticas (v. reedições do Fausto de Johann Wolfgang von Goethe, a revisitação às diversas traduções de Herbert Caro de obras de Thomas Mann, as retraduções de obras de Sigmund Freud, de Walter Benjamin etc.). Se, por um lado, esses trabalhos são caracterizados, também, como uma revisitação às obras de diversos autores, por outro lado, eles permitem que se estabeleçam novas discussões não apenas acerca do processo tradutório em si, mas também sobre necessárias (re)atualizações críticas sobre autores e obras com uma mirada contemporânea, sem se perder de vista, obviamente, o foco do texto original que lhes serve de protótipo. O exercício da tradução e a apresentação ao público de obras de autores de outras épocas trazem consigo uma espécie de busca por realocação desses contextos e atores – os próprios autores, mas também seus personagens – mais antigos, ao se lançar a possibilidade de que novos diálogos sejam estabelecidos entre os textos ditos clássicos e/ou canônicos com a cultura e a língua contemporâneas vigentes no Brasil atual. Vislumbra-se, assim, novos pontos de partida para discussões no amplo campo da Literatura Comparada. Este simpósio pretende abrigar produções que incitem discussões sobre os mais variados temas decorrentes do acima exposto, tais como: a) a recepção, via (re)tradução de autores clássicos de expressão alemã (de Literatura, Psicanálise, Filosofia etc.) na atualidade brasileira; b) cotejo de técnicas, estratégias, modos e procedimentos tradutórios empregados na tradução de obras germanófonas para o português brasileiro; c) o papel desempenhado pelo tradutor como mediador cultural entre diferentes mundos, diversas épocas, várias formas de linguagens etc.; d) os processos de revisão estabelecidos pelas editoras que implicam em novas relações entre o passado e o presente; e) o estabelecimento de listas terminológicas, glossários, notas do tradutor e demais elementos paratextuais durante o processo tradutório; f) o fomento do diálogo entre a literatura e outras áreas do saber; g) processos trans/interculturais como determinantes do processo tradutório; h) discussão acerca da escolha dos objetos de tradução; i) o trânsito editorial entre a academia e as grandes, médias e pequenas editoras; j) a variabilidade da tradução de gêneros literários; k) as peculiaridades do ensino de tradução literária no Brasil e a prática de tradução; l) a recepção pelo público brasileiro da literatura de expressão alemã traduzida (o que se lê, o que se vende, o que se precisa ainda traduzir etc.) a dicção do autor germanófono e a sua dicção na obra traduzida; n) a tensão entre autores clássicos e ética tradutória; e, por fim, o) as relações contratuais entre tradutores literários e editoras, e a inexistência de uma associação de tradutores literários como empecilhos para um maior número de obras germanófonas traduzidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PALAVRAS-CHAVE

Estudos da tradução; Estudos culturais; Literatura de expressão alemã; Filosofia; Psicanálise.

PROGRAMAÇÃO

S01 10/09 14h-17h - link não disponível

S02 11/09 14h-17h - link não disponível