A POESIA LÍRICA EM DISCUSSÃO - DAS CANTIGAS MEDIEVAIS AO MODERNISMO

SIMPÓSIO - ST7

COORDENADORES

Maria Alice Sabaini de Souza Milani (UNIR)
Clarice Zamonaro Cortez (UEM)

RESUMO

A proposta deste Simpósio é discutir a poesia lírica escrita em língua portuguesa, levando em consideração as diferenças teórico-ideológicas e estético-formais que marcam as várias correntes literárias, desde os tempos medievais ao modernismo. O termo lírico tem sua origem na Grécia Antiga, quando os poetas recitavam e cantavam seus versos ao som da lira e os versos associavam-se aos principais atos da vida cotidiana, como as cantigas de ninar, os cantos de pastores, os hinos de vitória ou de adoração, os lamentos de pesar pela morte de alguém, os himeneus e as cantigas de amor. A continuidade deste lirismo se estendeu por todo século XVI em Portugal na produção poética de Camões, Sá de Miranda entre outros. O lirismo renascentista teve a influência de Petrarca, principalmente nos sonetos. O Barroco também privilegiou os sonetos nas produções poéticas de Jerônimo Baía e Francisco Rodrigues Lobo. O lirismo atingiu seu auge tanto em Portugal como no Brasil com o Romantismo. Em Portugal, destaca-se Almeida Garrett e no Brasil Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Castro Alves com sua obra Espumas Flutuantes (1870). No século XX, em Portugal, o lirismo se faz presente em Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyener Andresen e Eugéneo de Andrade. Ao passo que no Brasil, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Mário Quintana são poetas que no desenvolver de sua produção poética aderiram ao lirismo. Tal digressão demonstra a superioridade do conceito de poesia, que é considerada como uma forma elevada de atividade criadora da palavra. Segundo Candido (1993, p.12) essa atividade criadora da palavra, se deve as “intuições profundas, dando acesso a um mundo de excepcional eficácia expressiva. Por isso, a atividade poética é revestida de um caráter superior dentro da literatura, e a poesia é como a pedra de toque para avaliarmos a importância e a capacidade criadora desta”. O discurso lírico, portanto, é caracterizado pelo sentir em conjugação com o pensar e o sujeito lírico interpreta as tensões e os conflitos que fazem parte do mundo individual e social, discutindo temas variados como o amor e o ódio, a fidelidade e a traição, a paz e a guerra, entre muitos outros. Temas esses representados com uma pluralidade de pontos de vista subjetivos e uma variedade formal dos esquemas estróficos, métricos, rítmicos, em conformidade com a expressão estilística do mundo imagético e metafórico, além do jogo sintático-semântico das antíteses, inversões e trocadilhos – matéria lírica estimuladora da sensibilidade do leitor, espécie de apelo para compartilhar ideias, emoções, sentimentos e atitudes. A poesia lírica cumpre, assim, o seu papel de "satisfazer as necessidades estético-espirituais dos leitores, ao mesmo tempo em que realiza uma tarefa educativa invejável, rivalizando com a música e a pintura" (Moniz, 1997). O poeta lírico, pintor de palavras e músico de sons linguísticos, deve ser considerado um interlocutor e um intérprete privilegiado do mundo real e do imaginário, das frustrações, dos desejos, das utopias, das dúvidas e das angústias de cada época e de cada sociedade a que pertenceu. Quase sempre marginalizado pelas esferas do poder e das influências, valorizado postumamente, o poeta é considerado um "profeta que pregou no deserto". O processo de produção da poesia não deve ser compreendido como um processo individual, particular a esse poeta explicável biograficamente, mas somente do ponto de vista lógico-linguístico, como o processo que ocorre dentro da correlação sujeito-objeto enunciado lírico. Entre os recursos linguísticos que caracterizam o fazer poético, a metáfora se constitui como um suporte na expressão plurissignificativa, por meio da qual “a linguagem deixa de ser um mero meio de comunicação e torna-se fruto da paixão e do prazer” (BORGES, 2000, p.14). Como tal, naturalmente, tem inúmeras formas diferenciadas, cuja distinção produz as possibilidades infinitas da expressão lírica e das consequentes obras de arte, e somente nesse sentido individual é o processo em relação aos diferentes poemas e poetas líricos, bem como em relação aos estilos da época. Assim, na perspectiva de Paz (2012) a história do homem condiciona-se à relação entre as palavras e o pensamento, sendo “o homem um ser de palavras”. Neste sentido, “o poema é criação original e única, mas também é leitura, recitação e participação. O poeta o cria; o povo, ao recitá-lo, recria. Poeta e leitor são dois momentos de uma mesma realidade” (PAZ, 2012, p. 46). Serão aceitos estudos sobre poetas portugueses, brasileiros e africanos, especificamente, propondo discussões sobre o discurso poético, as diferenças teórico-ideológicas e estético formais, entre outros temas da poesia lírica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Castro. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. BORGES, Jorge Luis. Esse ofício do verso. Tradução: José Marcos Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. CANDIDO, Antonio. O estudo analítico do poema. São Paulo: Terceira Leitura, 1993. MONIZ, António; PAZ, Olegário. Dicionário breve de termos literários. Lisboa: Editorial Presença, 1997. PAZ, Octavio. O arco e a lira. Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht. São Paulo: Cosac Naif, 2012.

PALAVRAS-CHAVE

Poesia Lírica; Linguagem; Metáfora; Palavra.

PROGRAMAÇÃO

S1 15/09 14h-15h - https://youtu.be/pJi3qxYTdus

S2 15/09 17h-19h - https://youtu.be/k_X3ZcG1E_0

S3 22/09 16h-19h - https://youtu.be/TnPoWwkeKcc