O CRÍTICO E PENSADOR BENEDITO NUNES ENTRE O CLÁSSICO, O ROMÂNTICO E O MODERNO: ESTUDOS DE TEXTOS LÍRICOS, NARRATIVOS, DRAMÁTICOS E ENSAÍSTICOS

SIMPÓSIO - ST67

COORDENADORES

Maria de Fatima do Nascimento (Universidade Federal do Pará (UFPA))
Hugo Lenes Menezes (Instituto Federal do Piauí, IFPI, Teresina)
MARCELA FERREIRA (Instituto Federal de Goiás (IFGO) Uruaçu)

RESUMO

Hoje, após o surgir do comparatismo ainda nos Oitocentos, o cartesianismo está defasado diante da unidade epistemológica e da transdisciplinaridade, que transita “entre”, “através” e “além” das diversas áreas do saber. De tal enfoque são ilustrativas as relações multinterpretativas entre arte da palavra, humanidades, cultura e tecnologia, numa variedade de suportes textuais, particularmente sob as interfaces inclusivas dos “estudos culturais” com o “comparatismo literário”. Esse, para Carvalhal (1997), contribui para a alteridade em meio à individualidade. Aqui situamos um crítico estético (música, pintura, teatro e cinema) e literário, além de pensador brasileiro: o hermeneuta Benedito Nunes, para quem: “Combinando a liberdade de imaginação e a ordem dos conceitos, esse arrojo hermenêutico solicita a utilização convergente, inter(-trans)disciplinar, das ciências dispersas na forma individuada, estética, de um discurso favorável à hipótese fecunda e arriscada, à discussão de questões emergentes, não confinadas a uma única disciplina e às soluções problemáticas (NUNES, 2010, p. 299). Tal intelectual se torna bacharel em Direito pelo fato de o curso lhe propiciar a epistemologia, sobretudo, pela Teoria do conhecimento (1921), de Nicolai Hartmann. Depois no exterior, leciona e dirige seminários em universidades. Em seu país, dedica-se ao magistério superior do Pará. Ministra aulas de História da Filosofia e Ética, na Graduação em Ciências Sociais, Pedagogia e História, bem como Teoria Literária na Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Pará. No Suplemento Literário da “Folha do Norte” em Belém (PA), inicia sua produção regular de ensaísta, cujo ponto alto é então “Cotidiano e a morte em Ivan Ilitich”, que prenuncia a criativa estrutura dialógico-transacional da crítica nuniana. Em seu discurso teórico confrontativo e transdisciplinar, outras vozes comparecem, como a de Nietzsche (Filosofia Geral), Werner Jaeger (Filologia), Freud (Neurologia, Psiquiatria e Psicanálise), Benveniste (Linguística), Heidegger (Hermenêutica), Goldmann (Sociologia), Bergson (Ciência da Intuição), Sartre (Existencialismo), Foucault (História das Ideias), Northrop Frye (Antropologia Literária), Husserl (Fenomenologia), Gadamer e Ricoeur (Hermenêutica e Fenomenologia). O traço distintivo da articulação modelarmente verificamos em “A clave do poético” (2009), de Benedito Nunes, que, em estudos de literatos paraenses, julga digno de elaboração um paralelo entre eles e autores regionais, brasileiros e estrangeiros: Dalcídio Jurandir, Érico Veríssimo e Proust; Haroldo Maranhão, Mário de Andrade e Rabelais; Benedicto Monteiro e Inglês de Sousa; Bruno de Menezes, Jorge de Lima e Mallarmé; Paulo Plínio Abreu, Augusto Frederico Schmidt e Rilke; Ruy Barata, Baudelaire e Homero; Mário Faustino, Cecília Meireles, Eliot e Ezra Pound; Max Martins, Drummond e Dylan Thomas; Paes Loureiro, Bruno de Menezes e Maiakovski; Vicente Cecim e Nietzsche; Age de Carvalho, Max Martins e Rimbaud; Antonio Moura, João Cabral e Laforgue; Alonso Rocha e Castro Alves; Paulo Vieira e Mário Faustino. Por sugestão desse último, Benedito Nunes colabora para o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, no qual ele “estreia com o artigo ‘O homem e sua hora’, referente à obra homônima de Mário Faustino. Nesse ponto, o intelectual belenense mantém coluna sobre Filosofia, encerra suas atividades naquele Suplemento, após também contribuir para “A Província do Pará”, e passa a colaborar em “O Estado de São Paulo”, a convite de Décio Almeida Prado; no “Estado de Minas Gerais” e na “Folha de São Paulo”, sem prejuízo de revistas como a lusa “Colóquio Letras”. Do ensaísmo jornalístico, Benedito Nunes incorpora a “compreensão totalizante da cultura” (EULÁLIO, 1992, p. 19) e seu primeiro livro de crítica literária, “O mundo de Clarice Lispector” (1966), “constitui-se de cinco ensaios estampados em “O Estado de São Paulo”. Neles analisa três romances claricianos: “Perto do coração selvagem” (1943), “A maçã no escuro” (1961) e “A paixão segundo G.H.” (1964), bem como o conto “Amor”, de “Laços de família” (1960). Para tanto, dialoga com Kierkegaard, Sartre e Heidegger, mormente no poder ontológico e gnosiológico da linguagem verbal, vinculada à fenomenologia da existência. Igualmente, enquanto clariciano, ele publica “O dorso do tigre” (1969), em cuja segunda parte aborda Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Fernando Pessoa. Por sua vez, o criador do “Manifesto Antropófago” (1928), recebe o nuniano “Oswald Canibal” (1979). Benedito Nunes continua a estudar a literata ucraniano-brasileira também em “Leitura de Clarice Lispector” (1973) e “O drama da linguagem” (1989). Ademais, coordena a edição crítica de “A paixão segundo G.H” (1988). Entre os livros póstumos de nosso autor, ressaltamos “Do Marajó ao arquivo” (2012), voltado para representantes da literatura paraense e nacional. Então, com o presente simpósio, objetivamos acolher diferentes trabalhos acerca de Benedito Nunes no ano de uma década sem esse grande intelectual.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHAL, Tânia Franco (Org.). Literatura comparada no mundo. Porto Alegre: L&PM, 1997. EULÁLIO, Alexandre. O ensaio literário no Brasil. In. WALDMAN, Berta; DANTAS, Luiz (Org.). Escritos. Campinas: Edunicamp; São Paulo: Editora da Unesp, 1992. NUNES, Benedito. Pluralismo e teoria social. In. PINHEIRO, Victor Sales (Org.). Ensaios filosóficos. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

PALAVRAS-CHAVE

Benedito Nunes; Literatura e outras atividades humanas; Diálogos transdisciplinares; Crítica estético-literária; Comparatismo.

PROGRAMAÇÃO

S1 14/09 14h-17h - https://youtu.be/I6k7RoAWpKs

S2 15/09 14h-17h - https://youtu.be/6JJlssMxGi0

S3 16/09 14h-17h - https://youtu.be/tXuQQwYm8ZU