LITERATURA, ARTES PLÁSTICAS E ARTES CÊNICAS: O PERCURSO TRANSDISCIPLINAR POR MEIO DA TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA

SIMPÓSIO - ST54

COORDENADORES

Samuel Anderson de Oliveira Lima (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
Leila Maria de Araújo Tabosa (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte)
Yuri Brunello (Universidade Federal do Ceará)

RESUMO

Por seu caráter de transmutação-transfiguração-transcriação de signo em signo, todo e qualquer pensamento pode ser compreendido ou conceituado como tradução. Ao pensarmos, estamos traduzindo-recriando aquilo que temos de acervo, seja no espaço consciente ou no inconsciente, seja nos espaços de elaboração criadora. Por isso e por entender que a literatura pode ser vista como espaço privilegiado de base criativa que se pode multireescrever em outras formas e em outros signos, sejam eles verbais ou não verbais, este Simpósio Temático se propõe dialogar com as diversas formas de criação e transcriação que podem trans-ir da literatura para as artes cênicas e/ou para as artes plásticas. O estudo da literatura e seus desdobramentos podem fomentar ideias de recriação, transcriação, segundo apregoa o crítico-poeta-ensaísta-artesão-tradutor Haroldo de Campos (2010) a partir de suas obras originais para um influxo transdisciplinar por meio da tradução intersemiótica (PLAZA, 2008). Utilizamos como base-guia, nesta proposta, o trabalho do já citado Haroldo de Campos, intitulado “Da tradução como criação e como crítica”, que compõe o livro Metalinguagem & outras Metas: ensaios de teoria e crítica literária, e o de Julio Plaza, intitulado Tradução intersemiótica, dentre outras referências, que tratem de processos tradutores criativos. Para Haroldo de Campos, todo texto é traduzível, recriado e, mais ainda, o texto literário, “mais inçado de dificuldades”, pois “tradução de textos criativos será sempre recriação, ou criação paralela, autônoma porém recíproca” (CAMPOS, 2010, p. 35), o que representa, neste Simpósio, a recriação da Literatura signo verbal para, por exemplo, a pintura signo não verbal. Julio Plaza (2008), por sua vez, apresenta, como teoria, a tradução intersemiótica a qual encontra como caminho tradutor de linguagens a transmutação que “consiste na interpretação de signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais ou de um signo para o outro, por exemplo, da arte verbal para a música, a dança, o cinema, ou a pintura” (PLAZA, 2008, p. 12), o que configura, neste espaço de discussão temática, a passagem do texto literário escrito transcriado para as multifacetadas áreas do teatro e das artes plásticas. Assim, este Simpósio intenciona, dentro das questões que baseiam o tema geral deste congresso da ABRALIC, discutir os espaços da transdisciplinaridade que podem ocupar a cena da Literatura em harmonia de transcriação com o teatro e com as artes plásticas, ampliando o horizonte de leitura da criação livresca, onde a noção de linguagem é vista como espaço de experimentação multidisciplinar, como forma de leitura artística dramática-imagética-literária em debate com a cultura, percebido de maneira contemporânea, podendo possibilitar o reconhecimento do contexto humano que aponta para a compreensão das questões de relação da literatura com a sociedade e suas representações culturais de signos verbais e não verbais como questão de Literatura Comparada. Isso porque pode proporcionar formas de despertar no cidadão e na cidadã o senso crítico e o despertar artístico a partir da leitura literária e suas formas de fluxos transdisciplinares, elaboradas pelos artistas da linguagem literária para o trânsito como artes plásticas e cênicas, uma vez que se colocam em “um espaço estratégico para promover práticas integradas entre as várias áreas do conhecimento” (CASTRO, 2004, p. 14). Para a construção desta proposta temática, além das reflexões proporcionadas pelos críticos referidos, também tomamos como prerrogativa aquilo que está apontado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) quando orienta: “Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura” (BRASIL, 2016, p. 87). Portanto, representa a possibilidade da criação de um diálogo com a tríade literatura, cultura e artes, proporcionado pela leitura do texto literário como base, mas, além disso, preconiza também a extrapolação das barreiras que, porventura, sejam criadas pelo texto verbal, já que, segundo nossa proposta, pensamos essa ciência como uma porta aberta − de via dupla − para as outras artes, pela qual transitam e transitam-se essas muitas vozes, formando, plenamente, um constructo coeso e acessível a todos, ou seja, do signo verbal para o não-verbal e vice-versa. Por essa razão, entramos em consonância com o aspecto social do fazer humano, tendo em vista que as artes precisam alcançar o objetivo de atingir plenamente seus espectadores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, Luciana Maria Cerqueira. A universidade, a extensão universitária e a produção de conhecimentos emancipadores. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 27, Caxambu, 2004. Anais Caxambu: ANPEd, 2004. Disponível em: < http://27reuniao.anped.org.br/gt11/t1111.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2021. CAMPOS, Haroldo de. “Da tradução como criação e como crítica”. In: Metalinguagem & Outras metas: ensaios de teoria e crítica literária. São Paulo: Perspectiva, 2010. p. PLAZA, Julio. Tradução intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 2008. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Segunda versão revista. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2016.

PALAVRAS-CHAVE

Transdisciplinaridade; Transcriação; Tradução intersemiótica; Literatura e teatro; Literatura e artes cênicas.

PROGRAMAÇÃO

S01 08/09 09h-12h - https://youtu.be/PBKmR2ySKqg

S02 09/09 09h-12h - https://youtu.be/5n6AZYbrzzw

S03 10/09 09h-12h - https://youtu.be/CG4HAnuaYmg