REVISÃO DA HISTORIOGRAFIA TEATRAL: LER E RELER FONTES PRIMÁRIAS, VISÕES CRÍTICAS E JUÍZOS ESTÉTICOS NA DRAMATURGIA

SIMPÓSIO - ST79

COORDENADORES

Maria Clara Gonçalves (UNESP/Assis)
Elizabeth R. Azevedo (USP/ECA)
Fabiana Siqueira Fontana (CAL/UFSM)

RESUMO

O simpósio de "Revisão da historiografia teatral: ler e reler fontes primárias, visões críticas e juízos estéticos" foi idealizado por um grupo de pesquisadores, cujo objetivo é discutir acerca de peças, autores, gêneros, repertórios e/ou círculos teatrais de pouca visibilidade na historiografia teatral. Os textos dramáticos são uma parte importante do teatro, apresentando-se como expressão estética que, assim como na literatura, utilizam-se das palavras para contribuir à concepção da experiência humana. Os pesquisadores que se debruçam sobre o teatro, devem compreender que "a peça teatral, considerada literatura, é um dos elementos mais importantes do teatro; todavia, não o constitui, não lhe é condição indispensável" (ROSENFELD, 2008, p. 35). Devido a sua natureza multifacetada, o teatro tornou-se um objeto de análise complexo, sendo necessário levar em consideração outros fatores que não somente o texto. Essa "dificuldade" pode ser um dos motivos para que os textos dramáticos tenham obtido um espaço menor nos estudos literários de maior relevância. Deve-se ressaltar, ainda, que as obras teatrais receberam (e ainda recebem) leituras ligadas à critérios estéticos pautados em interesses históricos do momento de concepção da crítica. Em geral, "ao observarmos as premissas estéticas e culturais que impulsionaram as criações artísticas, constatamos que as reflexões construídas sobre as mesmas foram elaboradas a partir de ideias que, ao serem, sistematicamente, defendidas, tornaram-se referências para as práticas teatrais transformadas em marcos ordenadores da temporalidade que conhecemos como História do Teatro Brasileiro" (GUINSBURG; PATRIOTA, 2012, p. 23). Torna-se necessário, assim, questionar a cristalização de determinadas apreciações nos estudos historiográficos, pois isso contribui para o "apagamento" de uma parcela do universo teatral, criando uma linha temporal histórica fragmentada e construída a partir de critérios que nos dias atuais devem ser revisitados. Há de se repensar, ainda, sobre o juízo de "valor" estético, já que determinadas peças, autores, gêneros, repertórios e/ou círculos teatrais tiveram mais relevância junto à crítica justamente por conta desse fator. As questões que atribuem essa ideia valorativa às obras de arte, em geral, sempre incorrem em julgamentos que diferenciam quais devem ocupar um lugar expressivo e quais serão colocados à margem nos estudos críticos. Os critérios que definem a posição dessas partes constituintes do universo teatral nos estudos sobre teatro, poderão ser discutidos a partir dos interesses críticos que mobilizam os pesquisadores de hoje. Ou seja, outros interesses mobilizarão outras avaliações que contribuirão à novas informações sobre a cena teatral como um todo. Contudo, não se trata de desconsiderar a relevância estética das produções, autores ou movimentos teatrais já consagrados pelos estudiosos, mas sim fazer um exercício reflexivo que permita questionar determinados lugares-comuns da crítica que foram realizados em outros tempos e em outras circunstâncias. Tal movimento reflexivo permite que seja incorporado aos estudos outros textos, autores e movimentos teatrais que possuem relevância estética, mas que, por diversos fatores, foram postos de lado na historiografia teatral. Obviamente, que esse movimento já está ocorrendo e, por isso, esse simpósio busca reunir esses trabalhos e criar uma rede ativa entre os pesquisadores. Se o juízo dos críticos está ligado às ideias estéticas que são valorizadas no momento em que suas análises foram feitas, então "o valor é uma atribuição historicamente construída. Frases como ‘esta obra tem densidade’ não são objetivas, e evocam primariamente os interesses dos sujeitos que as enunciam" (GUINZBURG, 2008, p. 103). Para que sejam construídas análises que ampliem o entendimento sobre o teatro nos estudos críticos, torna-se relevante avaliar as concepções estéticas que orientam as apreciações estilísticas das dramaturgias, a importância de determinados autores ao entendimento da cena teatral no qual estavam inseridos, o olhar valorativo da crítica pautado na hierarquização dos gêneros, os círculos teatrais de menos prestígio que permitem ampliar as informações sobre o movimento teatral e/ou o repertório de companhias/teatros à compreensão do gosto de uma época. Sobre o uso de fontes primárias, os aspectos da cena que ultrapassem a dramaturgia podem ser encontrados em diversas fontes, como anúncios de espetáculos, programas de peças e no ambiente histórico das encenações (destacando atores, diretores e cenógrafos); assim como documentos utilizados em seus processos de criação. Trabalhos que busquem empreender uma leitura que explore outros textos e não apenas os canonicamente evocados pela crítica estabelecida de autores consagrados, ou mesmo àqueles que busquem um novo olhar sobre os já desgastados lugares-comuns da historiografia teatral, contribuirão sobremaneira à discussão proposta neste simpósio.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GUINSBURG, Jacó; PATRIOTA, Rosângela. Teatro Brasileiro: ideias de uma história. São Paulo: Perspectiva, 2012. GUINZBURG, Jaime. “O valor estético: entre universalidade e exclusão”. Alea, Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2008, vol. 10, n. 1, p. 98-107. ROSENFELD, Anatol. Prismas do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2008.

PALAVRAS-CHAVE

Dramaturgia; Crítica Teatral; Fontes Primárias; Historiografia Teatral; Juízos Estéticos.

PROGRAMAÇÃO

S1 15/09 09h-12h15 - https://youtu.be/ZBD-eczala4

S2 16/09 15h-18h15 - https://youtu.be/4u3myy1NXjg

S3 22/09 09h-12h15 - https://youtu.be/R_VgJ9VPgPo

S4 23/09 15h-18h15 - https://youtu.be/_H5ZP5tP6bQ