ESCRITORAS LATINO-AMERICANAS: IDENTIDADES, HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

SIMPÓSIO - ST22

COORDENADORES

Fernanda Aparecida Ribeiro (Universidade Federal de Alfenas)
Maria de Fatima Alves de Oliveira Marcari (Universidade EStadual Paulista)
Alexandra Santos Pinheiro (Universidade Federal da Grande Dourados)

RESUMO

Os estudos da literatura de expressão feminina partem do pressuposto de que a sociedade sempre valorizou a visão masculina como a “universal” e “oficial”, e, com isso, a voz feminina foi silenciada e subordinada à voz masculina. Tais estudos assumem, dessa forma, o papel de desmascarar a repressão dos papeis femininos legitimados pela ideologia dominante na sociedade e pela literatura canônica. Em 1994, Heloisa Buarque de Hollanda publica a coletânea Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura, reunindo estudiosas e teóricas que chamam a atenção para a importância da desconstrução do cânone literário (Ria Lemaire); da ginocrítica (Elaine Showalter); da alteridade (Gayatri Spivak); do conceito de gênero (Teresa Lauretis); dentre outros debates. A expansão da literatura de autoria feminina ocorre nas últimas décadas do século XX, refutando cada vez mais o conceito do patriarcado e em busca de uma identidade própria. Na América Latina, escritoras como Isabel Allende, Laura Esquivel, Gioconda Belli, Ana Miranda, entre muitas outras, se destacam por sua escrita voltada à problemática da mulher na sociedade, cujos temas abordam a construção, a manutenção e a transformação de práticas sociais e culturais que reverberam o conceito do patriarcado, salientando a sobreposição, a hibridização e a variação dessas práticas de modo que continuamente são revisitadas pela literatura para (re)construir identidade(s) a partir de diversas noções que se interseccionam: classe, etnia, gênero e outros. A professora Márcia Hoppe Navarro (1995, p. 53) propôs a nomenclatura Nova literatura feminista latino-americana para a fase em que a mulher escritora ganha autonomia para escrever, destacando os aspectos que foram determinados pelo movimento de liberação da mulher. Dez anos depois, em um artigo sobre a literatura latino-americana atual, a pesquisadora enfatiza que “o sentido de feminino [...] não como algo pejorativo, que se opõe à feminista, mas sim como algo que soma, recupera e adiciona um lado esquecido da história” (NAVARRO, 2005, p. 197). Diante do exposto, o presente simpósio inspira-se nestas vozes de mulheres pioneiras ao propor pensar os conceitos de identidades, histórias e memórias a partir da análise da literatura de escritoras latino-americanas. Uma temática que exige pensar nas raízes do patriarcado e em sua herança, ainda disseminada pelos discursos religiosos, políticos, escolares e familiares. A ficção de autoria feminina tem resgatado experiências até então não cartografadas de personagens femininas que avançam a partir do espaço íntimo familiar até a esfera pública. O principal objetivo das escritoras é a recuperação, por meio de suas obras, de eventos silenciados por uma realidade social e política opressora, por meio de uma linguagem desestabilizadora do logos patriarcal, criando um discurso de resistência e posicionando-se por meio de sua linguagem. Desse modo o presente simpósio visa reunir trabalhos que analisem as relações entre história, identidade e memória na narrativa de autoria feminina, em especial da América Latina, observando como a escrita é utilizada como um meio para articular as vozes da periferia – dos excluídos por gênero, classe ou raça –, e, em particular, das mulheres como sujeitos próprios de seu discurso, tendo como base aquilo que Medeiros-Lichem (2006, p.15, tradução nossa) disserta em seu livro: “a causa primordial da voz da mulher na literatura latino-americana tem sido ampliar e redefinir a compreensão do desenvolvimento social e do papel da mulher no acercamento cultural à alteridade. Ao incorporar as vozes múltiplas do outro, a narrativa feminina está entretecendo uma imagem pluri-identitária da mulher, da sociedade e da realidade latino-americana”. Convidamos professores(as) e pesquisadores(as) a enviarem artigos que contemplem análises de obras literárias de escritoras latino-americanas sob a perspectiva dos estudos de gênero e da crítica literária feminista, e desenvolvidos a partir das seguintes perspectivas norteadoras: a) Representações identitárias e de gênero na literatura feminina; b) Escritas de si femininas; c) Vozes poéticas femininas; d) A narrativa histórica de escritoras latino-americanas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOLLANDA, H. B. de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de janeiro: Rocco, 1994. MEDEIROS-LICHEM, M. T. La voz femenina en la narrativa latinoamericana: una relectura crítica. Santiago: Editorial Cuarto propio, 2006. NAVARRO, M. H. (Org.) Rompendo o silêncio: gênero e literatura na América Latina. Porto Alegre: UFRGS, 1995. NAVARRO, M. H. Re-escrevendo o feminino: a literatura latino-americana atual em perspectiva. In: LIMA, T. M. O.; MONTEIRO, M. C. (Org.). Figurações do feminino nas manifestações literárias. Rio de Janeiro: Caetés, 2005. p. 197-217.

PALAVRAS-CHAVE

Literatura e Mulher; Crítica Literária Feminista; Literatura de Autoria Feminina.

PROGRAMAÇÃO

S01 01/09 14h-18h - https://youtu.be/KsHeQ2fjaOU

S02 02/09 14h-17h - https://youtu.be/aSynE5qoLd0

S03 03/09 14h-17h - https://youtu.be/ElMYKVnM0C0