ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE SHAKESPEARE

SIMPÓSIO - ST26

COORDENADORES

REGIS AUGUSTUS BARS CLOSEL (UFSM)
John Milton (USP)
Fernanda Teixeira de Medeiros (UERJ)

RESUMO

As obras de William Shakespeare (1564-1616) continuam a estimular estudos que ensejam diálogos, questionamentos, revisões, atualizações. Novas mídias e formas de transmissão de conteúdo colaboram para que incontáveis espaços ao redor do mundo sejam alcançados e a relevância dos textos seja sempre colocada à prova. Ao contrário de um falso senso comum, muito do que se produz atualmente sobre a obra e os tempos de Shakespeare e de seus contemporâneos é composto de ricos materiais —variando em sua abrangência, metodologia, corpus e objetivos de análise— que proporcionam novas rotas críticas para se pensar obras praticamente inesgotáveis. É natural que Shakespeare e suas mais de quarenta peças acabem por ser um imã para diversas teorias literárias tanto pela diversidade do conjunto dramático quanto por sua abertura polissêmica, sua vasta amplitude temática e sua imensa representação de tipos humanos. Séries especializadas, como “Shakespeare and Theory” (Arden Shakespeare, 2015-atual) e a abrangente “Shakespeare Oxford Topics” (Oxford University Press, 2001-atual), atestam a flexibilidade de se refletir, questionar e se aproximar do texto shakespeareano. Ambas refletem sobre o que tem sido feito em cada área de concentração especializada, e fornecem análises que aplicam o aparato teórico discutido a peças, sonetos e poemas narrativos (Brown, 2015; Egan, 2004; Harber, 2018; Hawkes, 2015; Laroshe, 2017; Marlow, 2017; Martin, 2015; Novy, 2017; Parvini, 2017; Singh, 2019; Taylor, 2001; Sanchez, 2019; Hollifield, 2017). Este simpósio pretende reunir diversos campos ligados à pesquisa shakespeareana para estimular a troca de reflexões, sobretudo com recurso a linhas teóricas que transitam entre diferentes abordagens, como história, geografia, história da emoção, psicanálise, composição textual, adaptação, gênero, história das performances e do texto, tradução, recepção, economia, poesia e cinema. Tanto abordagens emergentes —por exemplo, ecocrítica, ecofeminismo, geocrítica, nova crítica econômica, estudos de atribuição, teoria pós-humanista e estudos sobre o espaço— como linhas teóricas já estabelecidas — como os estudos de adaptação, os estudos de tradução, a teoria fílmica, os estudos de gênero, os estudos textuais, os estudos queer, a teoria psicanalítica, a crítica econômica, a crítica marxista, os estudos pós-coloniais, o materialismo cultural e o novo historicismo — são bem-vindas para promover o debate e a reflexão sobre os múltiplos olhares acerca de um objeto comum. A diversidade de encontros de disciplinas e a fluidez de interpretação dos objetos de análise são inerentes à condição de universalidade atribuída às peças de Shakespeare. A última década testemunhou novas direções na composição daquilo que forma o conjunto da obra ou em sua expressão mais tradicional, ainda que limitante, “o cânone” (Taylor & Loughnane, 2017) shakespeareano com a publicação da New Oxford Shakespeare (2016) e o crescimento de estudos especializados sobre o período do início da idade moderna, por exemplo, as muitas séries como a Cambridge Studies in Early Modern History, Early Modern Cutural Studies, Early Modern Studies, Early Modern Literary Geographies, Arden Shakespeare Intersections, Arden Performance Editions, entre muitas outras, atestam a profundidade acadêmica dedicada ao período. Convidamos propostas de comunicações sobre Shakespeare, em qualquer linhagem teórica, para debatermos juntos, ao longo deste simpósio, questões como: Como o crítico (re)constrói o(s) sentido(s) a partir do aparato teórico?; Qual via deve ser utilizada ou evitada em sala de aula?; A existência de diversas teorias auxilia ou dispersa?; A divergência de conclusões é fruto da análise ou da natureza “shakespeareana” (ou instável) do texto?; Uma abordagem específica necessariamente anula/contradiz outra? Cabe ao crítico literário se especializar em uma abordagem ou não?; Quais cruzamentos entre linhas críticas devem ou não ser feitos?; Como deve ser interpretada a variedade de teorias lançadas para uma mesma obra, como um objeto inesgotável, saturado ou uma via segura para se pensar a produção da crítica literária?; Por que algumas teorias são desenvolvidas em língua portuguesa enquanto outras não? Portanto, convidando a presença de uma malha crítica diversificada, este simpósio procura, por meio da variedade de abordagens, estimular o diálogo entre diversas formas e percursos de se pensar os estudos sobre Shakespeare desenvolvidos tanto no Brasil como no exterior.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TAYLOR, Gary and LOUGHNANE, Rory. ‘Canon and Chronology’, in TAYLOR, Gary and EGAN, Gabriel. New Oxford Shakespeare Authorship Companion. Oxford: Oxford University Press, 2017. SHAKESPEARE, William et al. New Oxford Shakespeare, ed. by Gary Taylor, et al.. Oxford: Oxford University Press, 2016. SHAKESPEARE, William et al. William Shakespeare and Others: Collaborative Plays, ed. by Jonathan Bate and Eric Rasmussen (Basingstoke: RSC, 2013). BROWN, Carolyn. Shakespeare and Psychoanalytic Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2015. EGAN, Gabriel. Shakespeare and Ecocritical Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2015. EGAN, Gabriel. Shakespeare and Marx. Oxford: Oxford University Press, 2004. HARBER, Karen. Shakespeare and Post-Humanist Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2018. HAWKES, David. Shakespeare and New Economic Criticism. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2015. LAROSHE, Rebeca et MUNROE, Jennifer. Shakespeare and Ecofeminist Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2017. MARLOW, Christopher. Shakespeare and Cultural Materialist Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2017. MARTIN, Randall. Shakespeare & Ecology. Oxford Shakespeare Topics. Oxford: Oxford University Press, 2015. NOVY, Marianne. Shakespeare and Feminist Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2017. PARVINI, Neema. Shakespeare and New Historicist Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2017. SINGH, Jyotsna. Shakespeare and Post-Colonial Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2019. TAYLOR, Michael. Shakespeare Criticism in the Twentieth Century. Oxford Shakespeare Topics. Oxford: Oxford University Press, 2001. SANCHEZ, Melissa. Shakespeare and Queer Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2019. HOLLIFIELD, Scott. Shakespeare and Film Theory. Shakespeare and Theory. Arden Shakespeare. London: Bloomsbury, 2017.

PALAVRAS-CHAVE

Shakespeare; Teoria Literária; Crítica Literária.

PROGRAMAÇÃO

S01 20/09 14h-18h - https://youtu.be/lLq6J9yFmXI

S02 21/09 14h-18h - https://youtu.be/_nFG0ZMEBjA