A TEORIA DA LITERATURA E AS NOVAS TENDÊNCIAS CRÍTICAS: APROXIMAÇÕES POSSÍVEIS

SIMPÓSIO - ST8

COORDENADORES

CONSTANTINO LUZ DE MEDEIROS (Universade Federal de Minas Gerais - UFMG)
Roberto Acízelo Quelha de Souza (Universade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ)

RESUMO

Na introdução de sua obra clássica, Teoria da literatura, uma introdução, cuja primeira edição data de 1983, Terry Eagleton afirma, de um modo quase enigmático para um livro que se propõe a abordar esse tema, a suposta inexistência de algo denominado teoria da literatura, e que as abordagens teórico-metodológicas que até então haviam se dedicado ao estudo dos fenômenos literários não diziam respeito apenas aos estudos literários (a ênfase é do autor), mas a áreas subjacentes das humanidades (EAGLETON, 2006, p. VII). A essa crise de disciplinas, teorias e métodos no âmbito dos estudos literários somam-se outras questões, de cunho político, ideológico, administrativo, alterando sistematicamente a área de estudos literários, e os departamentos de teoria da literatura e literatura comparada no Brasil e no mundo. Em consequência da denominada virada ou giro linguístico, e do surgimento dos estudos culturais, a partir da segunda metade do século XX, o âmbito dos estudos literários amplia-se e passa a abarcar outros fenômenos discursivos e culturais, e não apenas o literário, criando, por um lado, problemas na configuração de disciplinas, métodos e objetos, mas, por outro lado, possibilitando uma maior riqueza de abordagens, pesquisas e aportes teóricos. Assim, desde a institucionalização da teoria literária, nas primeiras décadas do século passado com os formalistas russos, até as correntes críticas mais atuais e inovadoras, a riqueza de conceitos e aportes teórico-metodológicos apenas reafirma a importância do campo literário no âmbito das Humanidades. Nesse sentido, no alvorecer do século XXI, a teoria literária encontra-se diante do desafio de refletir sobre os rumos a tomar, incorporando novas e importantes questões, sem, no entanto, abrir mão de sua riqueza conceitual e histórica. Do mesmo modo, o despontar de interessantes correntes críticas contemporâneas, como o ecocriticismo, as pesquisas que aproximam literatura e ambientalismo, os estudos sobre gênero e diversidade, entre tantos aportes teóricos atuais, não devem ser contemplados enquanto concorrentes históricos de escolas e correntes críticas que os antecederam, embora devam ter suas especificidades reconhecidas e preservadas – sob pena de cairmos na facilidade do ecletismo –, ao mesmo tempo, devem ser consideradas também nas suas relações tanto de continuidade como de rupturas em relações às orientações crítico-teóricas que as antecederam. A abertura para as mais diversas posições crítico-literárias que se estabelecem após a década de 1960 tem enormes implicações para os programas das disciplinas de estudos literários, em especial da teoria literária. Por um lado, ocorre uma ampliação substancial no escopo de objetos de estudo passíveis de determinação, e, por outro, surgem questionamentos sobre a necessidade de se incorporar teorias e metodologias de áreas afins, como a sociologia da arte, a antropologia cultural, a filosofia, a estética, a história cultural, entre muitas possibilidades. Para alguns estudiosos como Jonathan Culler (1999), uma das consequências dessa ampliação de disciplinas, métodos e objetos é o caráter quase intimidador da disciplina, pois, ainda segundo Culler, “um dos traços mais desanimadores da teoria hoje é que ela é quase infinita” (CULLER, 1999, p. 23). Esse simpósio se propõe a refletir sobre os novos caminhos da teoria literária no século XXI em aproximação recíproca com a história da literatura, a literatura comparada, a crítica literária, a filologia, a retórica, entre outras. O intuito principal é demonstrar que, assim como em outros campos do saber, é imprescindível equacionar novas tendências teórico-metodológicas, novas correntes críticas e aportes teóricos em estreita relação com a rica tradição estabelecida pelo campo dos estudos literários – nesse sentido, a filologia tem demonstrado isso de forma exemplar no uso computacional para a leitura, interpretação, estabelecimento e preservação de manuscritos antigos – de modo a aproximar, teórica e praticamente, disciplinas aparentemente apartadas, enriquecendo e inovando campos de estudo. O benefício dessa aproximação entre passado e presente, entre tradição e modernidade para os estudos literários é mútuo e enriquecedor, tanto para aqueles que estudam a literatura em chave diacrônica, quanto para aqueles que optam por perspectivas distintas. Assim, são bem-vindas pesquisas acadêmicas sobre problemas relacionados à teoria literária; discussões sobre a história, o presente e os rumos futuros do campo literário em geral; reflexões sobre problemas específicos das diversas disciplinas que compõem os estudos literários, tais como a história da literatura, a crítica literária, a filologia, os estudos culturais, os estudos de gênero e identidade, os estudos pós-coloniais, entre outras correntes críticas (antigas e atuais), assim como estudos e pesquisas que visem alinhar o passado e o presente de nossa disciplina, sem excluir as sondagens sobre seu futuro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: uma introdução. Tradução de Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2016. CULLER, Jonathan. Teoria da Literatura: uma introdução. Tradução de Sandra Guardini Vasconcelos. São Paulo: Beca Produções Culturais, 1999.

PALAVRAS-CHAVE

Teoria da Literatura; História da Literatura; Novas Tendências Críticas; Estudos Literários.

PROGRAMAÇÃO

S01 02/09 10h-17h - https://youtu.be/GCSBrz2sNho

S02 03/09 10h-17h - https://youtu.be/qai9MJioR7Y