LITERATURA TRADUZIDA NA E SOBRE A AMAZÔNIA

SIMPÓSIO - ST53

COORDENADORES

Lilian Cristina Barata Pereira Nascimento (Universidade Federal do Pará)
Marie Helene Catherine Torres (Universidade Federal de Santa Catarina)
Joaquim Martins Cancela Júnior (Universidade Federal do Pará)

RESUMO

Apresentada e representada em vários tempos e espaços, a gigantesca Hileia, como foi chamada a floresta amazônica pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), sempre foi tema de muitas obras literárias (escrita por estrangeiros e nativos), difundidas em vários gêneros da poética literária (HARDMAN, 2009). Desde as mais remotas crônicas dos viajantes europeus do século XVI às atuais produções, a Amazônia é, na maioria das vezes, a descrição do fascínio pela exuberância da fauna e da flora, da intensa irradiação solar, das chuvas torrenciais e dos colossais rios que, no geral, marcam a presença desse espaço e a construção do seu discurso (PIZARRO, 2012). Considerando a riqueza de diversidade das identidades amazônicas que marcam as obras literárias, o interesse principal desse simpósio é oferecer visibilidade às essas obras literárias traduzidas para várias línguas, sejam de qualquer origem, para fazê-las circular não só no Brasil, mas também em outros países, uma forma de compreender um pouco mais sobre a cultura Pan-amazônica, na medida em que amplia o horizonte de perspectiva sobre a região afora dos limites nacionais e/ou culturais, já que além das muitas línguas indígenas, também as línguas espanhola, portuguesa, inglesa, francesa e neerlandesa são faladas na grande região. E as traduções dessas poéticas amazônicas muitas vezes só se interessam (e reforçam) os estereótipos já cristalizados sobre a referida região, principalmente a partir da visão de estrangeiros. Há dois grandes movimentos neste processo sobre o estudo em particular das traduções em várias línguas das obras literárias amazônicas: uma é de produzir massa crítica e informativa sobre aspectos novos da grande região e o outro é de se aproximar de um movimento mais geral de tradução unida à tradução ética ou d’a letra (BERMAN, 2013) a partir de traduções inéditas ou retraduções de obras esquecidas no tempo. Por exemplo, a literatura amazônica é cada vez mais traduzida na França. De fato, a representação da Amazônia na literatura, seja no imaginário não somente francês, seja em outras culturas, sempre seduziu os leitores, conforme relatos de viagens de estrangeiros na Amazônia através dos tempos, alguns recentemente publicados em tradução no Brasil na revista “Cadernos de Tradução: Traduzindo a Amazônia” em 2021. Os autores mais traduzidos em francês são o belenense Edyr Augusto e os manauenses Márcio Souza e Milton Hatoum, e no mundo hispanófono é a obra La Vorágine (1924), de José Eustasio Rivera, que foi traduzida para vários idiomas: inglês em 1928, francês em 1930, russo em 1925, português em 1935, além de alemão, italiano, japonês e polonês. Ainda Daniel Munduruku que recebeu prestigiosos prêmios como o Jabuti ou o Prêmio Tolerância da UNESCO para suas obras infanto-juvenis, e não demorará a ser traduzido para o francês, pois já tem traduções para o inglês e alemão. Além do projeto LETRADUSO/UFPA em parceria com a Casa de Cultura Dalcídio Jurandir, em traduzir o livro Chove nos Campos de Cachoeira (1941) para o inglês e espanhol em 2022. A literatura na e sobre a Amazônia é apreendida aqui a partir da teoria da ecotradução, termo criado em português a partir do inglês ecotranslation e do francês éco-traduction por Torres (2021), fazendo referência a todas as formas de pensamento e prática de tradução que se envolvem conscientemente nos desafios da mudança do meio ambiente induzida pelo homem (CRONIN, 2017). Ainda à luz da ecoliteratura, a ecotradução concerne aos textos literários que traz de uma forma ou de outra a natureza como tema, personagem, reflexão e que apreende a tradução da relação entre a natureza e a literatura em diversos contextos culturais e examina em que medida a ficção e/ou a poesia deram um lugar essencial à natureza e às relações antrópicas com o meio ambiente. Portanto, visando ampliar estudos sobre a tradução na e sobre a Amazônia, são bem-vindas comunicações sobre: literatura de autores amazônicos traduzidas em qualquer língua-cultura; tradução comentada de textos literários sobre a Amazônia em outra língua-cultura como relato de viagem; depoimento de autores amazônicos ou de tradutores de obras na ou sobre a Amazônia; tradução e poder da Amazônia na circulação da literatura brasileira; recepção de um autor amazônico específico em tradução em outra cultura; impacto das traduções de autores amazônicos na formação do cânone literário nacional e na formação da identidade nacional; além de retradução de literatura amazônica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERMAN, Antoine. A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. Tradução de Marie-Hélène C. Torres, Mauri Furlan e Andréia Guerini. 2ª ed. Florianópolis: PGET/UFSC, 2013. CRONIN, Michael. Eco-Translation: Translation and Ecology in the Age of the Anthropocene. London: Routledge, 2017. HARDMAN, Francisco Foot. A vingança da Hileia. Euclides da Cunha, a Amazônia e a literatura moderna. São Paulo: Editora UNESP, 2009. JURANDIR, Dalcídio. Chove nos campos de Cachoeira. Rio de Janeiro: Vecchi, 1941. PIZARRO, Ana. Amazônia: as vozes do rio. Trad. Rômulo Monte Alto. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. RIVERA, José Eustasio. La vorágine. Caracas: Biblioteca de Ayacucho, 1976. Disponível em: <http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20190904030113/La_voragine_Jose_Eustasio_Rivera.pdf>. Acesso em: 17/03/2021. TORRES, Marie-Hélène. Nota da Tradutora. In: Cadernos de Tradução Traduzindo a Amazônia. Florianópolis: PGET, 2021 (no prelo).

PALAVRAS-CHAVE

ESTUDOS DA TRADUÇÃO; LITERATURA AMAZÔNICA TRADUZIDA; TRADUÇÃO COMENTADA; RETRADUÇÃO.

PROGRAMAÇÃO

S01 02/09 09h30-11h30 - https://youtu.be/jB6rySAYN6Q

S02 02/09 16h30-18h30 - https://youtu.be/jaFUe8BQEdE

S03 03/09 09h30-11h30 - https://youtu.be/Ws_-DPzWyaI