Nosso pai não voltou – canibalização de A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa

PROGRAMAÇÃO CULTURAL

MARINA DE OLIVEIRA
DATA: 8 de outubro, das 17h30 - 18h30
TRANSMISSÃO: https://youtu.be/5lTIs2RRN7M

Resumo do trabalho:

"Nosso pai não voltou – canibalização de A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa" é uma ação do projeto de pesquisa "Criando com o LADRA – Laboratório de Dramaturgia", da Universidade Federal de Pelotas, coordenado pela professora do Centro de Artes, Marina de Oliveira.

O LADRA recebeu esse nome por trabalhar justamente com a ideia de "roubo" e de "apropriação" de conteúdos e referências pré-existentes. O projeto unificado, que envolve ensino, extensão e pesquisa, tem uma página eletrônica - https://wp.ufpel.edu.br/ladrateatro/ -, em que são compartilhadas as construções dramatúrgicas criadas por alunos e professores do ensino médio e da universidade. "Recontação de histórias para a infância", "Cenas de animação", "Fotodramas" e "Canibalizações" constituem algumas das propostas criativas desenvolvidas no Laboratório, que pratica a noção de dramaturgia expandida, para além do texto teatral, sem excluí-lo. Assim, o LADRA opera com fins pedagógicos, sendo uma referência para o professor de teatro que queira trabalhar com criação dramatúrgica, audiovisual ou não, em sala de aula.

"Nosso pai não voltou – canibalização de A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa" configura-se como um processo de apropriação que Marina de Oliveira executa em relação ao conto do autor mineiro. O princípio de canibalização inspira-se no "Manifesto Antropófago", proposto por Oswald de Andrade em 1928: "Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago" ou ainda "Contra a memória fonte de costume. A experiência pessoal renovada". Canibalizar uma obra, nesse sentido, é comê-la e transformá-la em algo que não é mais o alimento primeiro, mas está ligada a ele, dando-lhe uma outra perspectiva, a partir de um horizonte de compreensão diferente.

Na releitura audiovisual, que utiliza componentes do biodrama (conceito de Vivi Tellas), a atriz estabelece um paralelo entre a figura paterna que entra numa canoa para nunca mais sair e o seu pai, médico que recebeu os diagnósticos de "transtorno esquizoafetivo" e "esquizofrenia", após mudanças de comportamento ocorridas a partir de seus trinta e três anos de idade. A mãe da atriz e seus irmãos participam do processo criativo, entendido pela família não apenas como uma releitura artístico-pedagógica de A terceira margem do rio, mas também como uma forma de testemunho sobre o convívio com um familiar com transtornos mentais.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Oswald de. O rei da vela; Manifesto da poesia pau-brasil; Manifesto antropófago. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

OLIVEIRA, Marina de. "Nosso pai não voltou – canibalização de A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa". Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/ladrateatro/nosso-pai-nao-voltou-marina-de-oliveira/ Disponível em: Acesso em: 26 set. 2021.

TELLAS, Vivi (Et. Al.) Biodrama. Proyecto Archivos: seis documentales scénicos de Vivi Tellas. Córdoba: Universidad Nacional de Córdoba, 2017.

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Minibiografia do apresentador:

image Marina de Oliveira é atriz e professora. Graduou-se em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É mestra e doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com pesquisas sobre dramaturgia brasileira. Foi vencedora do 1º Concurso Nacional de Monografias: Teatro no RS – Prêmio Gerd Bornheim, com o trabalho "Espacialidade e erotismo: um estudo das personagens femininas de Sexta-feira das paixões, de Ivo Bender", publicado em 2007 pela Prefeitura de Porto Alegre. É professora associada do curso Teatro-Licenciatura, no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atua nas áreas de dramaturgia, histórias do teatro e pedagogia do teatro. É autora do livro Os miseráveis entram em cena, lançado pela editora Perspectiva em 2016. Participou como atriz e roteirista da websérie Shirley & Deisê, produzida pelo Centro de Artes da UFPel. Atualmente coordena o projeto unificado de ensino, pesquisa e extensão "LADRA – Laboratório de Dramaturgia da UFPel".