O que tenho de Frida? Por uma leitura do feminino em Auridéa Moraes

PÔSTER - XVIII Encontro ABRALIC

Rejane César Araujo

ORIENTAÇÃO: Abílio Pachêco de Souza

RESUMOS: Auridéa Moraes é poeta, escritora, amante da leitura e de todas as nuances que a literatura imprime à existência humana. É mãe, esposa, avó, filha, amiga e, no rolar das engrenagens de sua história, tem buscado ressignificar as suas vivências e o seu papel enquanto mulher. Sempre com o olhar no coletivo, mesmo em uma sociedade enraizadamente patriarcal onde todos os dias as estatísticas mostram a complexidade que é existir e resistir sendo mulher, Auridéa faz sua arte. Autora paraense, nascida na cidade de Castanhal (PA) e residente em Marabá (PA) desde 2002, é peça fundamental para o projeto PIBIC/PIVITI 2021/2022 intitulado: "POESIA DE TEOR TESTEMUNHAL NA FRONTEIRA DO SUL E SUDESTE PARAENSE: um mapeamento da produção literária e sua relação com a realidade social na região", coordenado pelo professor Dr. Abilio Pachêco de Souza. Sabedores de que hoje a poesia está impregnada da consciência de coletividade em relação as mais diversas causas sociais (não se restringindo ao eu) e que os poetas do sul e sudeste do Pará têm muito a contribuir com os seus escritos na pauta resistência - segundo Alfredo Bosi (2002) - e testemunho - pouco investigada dentro da poesia e aqui analisada na perspectiva de Márcio Seligmann-Silva (2003; 2005; 2010) e Wilberth Salgueiro (2012) -, surgiu a necessidade de mapear os nossos poetas com o objetivo de trazer à luz o testemunho e a resistência que gritam em suas linhas. Ademais, busca-se evidenciar a relação das obras com os debates nacional e regional, atuando como forma de denúncia das mazelas de um povo, a partir do olhar sensível do(a) poeta. A partir da crítica feminista como a de Lúcia Osana Zolin e Thomas Bonnici (2009), este trabalho observa através da análise literária pelo modo empenhado de ler a literatura escrita por uma mulher, como ocorre a intervenção, a crítica e a denúncia social. Os primeiros resultados obtidos na pesquisa demonstram que a poesia consegue ultrapassar a barreira da subjetividade.

PALAVRAS-CHAVE: literatura de testemunho, literatura de resistência, literatura feminina. poesia amazônica.

REFERÊNCIAS: BONNICI, Thomas; ZOLIM, Lúcia Osana. Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas. Maringá: Eduem, 2009. BOSI, Alfredo. Narrativa e Resistência. In: BOSI, Alfredo. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 118-135. MORAES, Auridéa. Canções Inacabadas. Imperatriz: Ethos, 2019. SALGUEIRO, Wilberth. O que é literatura de testemunho (e considerações em torno de Graciliano Ramos, Alex Polari e André Du Rap). Matraga, Rio de Janeiro, v. 19, n. 31, jul./dez. 2012. SELIGMANN-SILVA, Márcio. História, memória e Literatura. Campinas: Unicamp, 2003. SELIGMANN-SILVA, Márcio. Literatura e trauma: um novo paradigma. In: SELIGMANN-SILVA, Márcio. O local da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Editora 34, 2005, p. 63-80. SELIGMANN-SILVA, Márcio. O local do testemunho: tempo e argumento. Florianópolis: UDESC, v. 2, n. 1, p. 3-20, junho de 2010.