Escravidão e liberdade no romantismo brasileiro - o caso de Sangue Limpo, de Paulo Eiró

PÔSTER - XVIII Encontro ABRALIC

Rodrigo Barreto de Meneses

ORIENTAÇÃO: Prof. Dr. Júlio Cezar Bastoni da Silva

RESUMOS: Considerando a tradição da historiografia literária brasileira, há certo consenso de que a literatura romântica trabalhou pouco, ou em perspectiva limitada, com a representação do escravizado, sendo que obras de teor antiescravagista ocupariam numericamente uma posição subalterna frente ao conjunto da produção do período. Contudo, a avaliação historiográfica tradicional elide ou subestima a produção de menor vulto, intermitente ou secundária, que colocam sob suspeita e matizam tais asserções. Cabe pensar sobre tais figuras que restaram fora do cânone nacional que, sob perspectivas e procedimentos diversos, cumulativamente construíram contradiscursos que desaguariam na produção abolicionista pós-1870. Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo resgatar, a partir da revisão bibliográfica, e refletir, em especial mediante o estudo analítico do drama Sangue Limpo, publicado em 1863, acerca do pensamento abolicionista na obra de Paulo Eiró. Desse modo, ao situar sua obra literária, contribui-se para a reinserção do poeta e dramaturgo no circuito dos estudos literários. Sob a perspectiva da relação mútua entre literatura e sociedade, refletiu-se acerca das peculiaridades da representação do escravizado e da escravidão, bem como a função antiescravagista, do drama Sangue Limpo. Para tanto, recorreu-se tanto à fortuna crítica do autor (ALVES, 1971; SCHMIDT, 1940; PRADO, 1996; ROCHA, 2014), quanto a textos da historiografia literária brasileira (BOSI, 2012; CANDIDO, 2006), a fim de enriquecer a hipótese de pesquisa, a qual reflete sobre a representação do escravizado na literatura nacional. Nesse sentido, o estudo do drama de Eiró constitui-se como parte de um empreendimento que visa reavaliar e situar os discursos sobre a escravidão no país, em especial a produzida no período romântico brasileiro.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira. Romantismo. Drama Histórico. Escravidão. Abolicionismo.

REFERÊNCIAS: ALVES, Henrique L. Paulo Eiró: o precursor da abolição. São Paulo: I.L.A. Palma, 1971. AZEVEDO, Elisabeth R. Um palco sob as arcadas: o teatro dos estudantes de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, no século XIX. São Paulo: Annablume; FAPESP, 2000. BOSI, Alfredo. “Cultura” In: A construção nacional: 1830-1889, volume 2, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. CANDIDO, Antonio. “A literatura na evolução de uma comunidade” In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006. FARIA, João Roberto. Teatro romântico e escravidão In: Teresa Revista de Literatura Brasileira [12/13]. São Paulo, p. 94-111, 2013. PRADO, Décio de Almeida. “O Drama Histórico Nacional: Agrário de Menezes, José de Alencar, Paulo Eiró, Castro Alves” In: O drama romântico brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 1996. ROCHA, Aristides Almeida. Paulo Eiró na história paulista. Revista do IHGSP, v. 98, p. 47-61, 2014. SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940. [2ª edição: O romance de Paulo Eiró. São Paulo: Clube do Livro, 1959.]