A memória como instrumento de (re)existência feminina em Ruanda: análise da obra literária La femme aux pieds nus, de Scholastique Mukasonga

PÔSTER - XVIII Encontro ABRALIC

Samya Tirza Barbosa Teixeira

ORIENTAÇÃO: Érika Pinto de Azevedo

RESUMOS: À memória, por vezes, é delegada a função de resgatar aquilo que não pode ser disperso pelo tempo. O movimento de conservar vivências passadas por intermédio da escrita, bem como, o reconstruir imagético da memória são importantes não apenas para a identidade de um sujeito específico, mas para o memorial coletivo (CANDAU, 2021). É nesse contexto que se encontra a obra La Femme aux pieds nus (2008) (A mulher dos pés descalços, 2018) da escritora ruandesa Scholastique Mukasonga, incumbida de salvar do apagamento o patrimônio cultural de seu povo. Em uma escrita que navega pela ficção e autobiografia, Mukasonga, autora e personagem, narra a história de sua família de etnia tutsi que foi dizimada junto com milhares de outros tutsis no genocídio noventista. Esse trabalho visa apresentar minha pesquisa de trabalho de conclusão de curso, cujos objetivos são: analisar o testemunho de (re)existência feminina feito pela personagem Stefania, mãe de Mukasonga e compreender/discutir o papel da mulher na literatura e cultura ruandesa. Para isso, os estudos de Azarian (2011) e Serafim (2021) contribuirão no que diz respeito à obra La femme aux pieds nus e a autora Mukasonga. A concepção transdisciplinar de Deleuze e Guattari (2019) é central para compreendermos questões políticas, anticoloniais e socioculturais africanas, campos convocados para a leitura da obra. Quanto à história e aos genocídios ocorridos em Ruanda, adotamos as contribuições de Mamdani (2001) e Sagarra (2009). Com Spivak (2010), as personagens subalternizadas do romance ganham voz e possibilidades de (re)existência. No que diz respeito aos estudos literários africanos e francofonia as contribuições são de Baumgardt e Derive (2013), Quaghebeur (2008) e Mbembe e Sarr (2021) em colaboração com as discussões sobre memória e identidade propostas por Candau (2021).

PALAVRAS-CHAVE: (re)existência, memória, narrativa de mulheres, genocídio, Mukasonga (Scholastique).

REFERÊNCIAS: AZARIAN, V. Scholastique Mukasonga: le « témoignage de l'absent ». L’afrique aujourd’hui: lettres et cultures. Revue de littérature comparée, v.4, n. 340, p.423-433, abr. 2011. DOI 10.3917/rlc.340.0423. Disponível em: https://www.cairn.info/revue-de-litteraturecomparee-2011-4-page-423.htm Acesso em: 10. março.2022. BAUMGARDT, U; DERIVE, J. Littérature africaine et oralité. Paris: Éditions Karthala,2013. CANDAU, J. Memória e identidade. Tradução: Maria Letícia Ferreira. São Paulo: Contexto, 2021. DELEUZE, G; GUATTARI, F. Mil platôs. Tradução: Aurélio Guerra Neto et al. 2 ed. São Paulo, SP: editora 34, 2020. MAMDANI, M. When victims become killers: colonialism, nativism and the genocide in Rwanda. New Jersey: Princenton University press, 2001. MBEMBE, A; SARR, F. Écrire l’Afrique-monde.1. ed. Company édition Philippe Rey JimSaan, 2021. MUKASONGA, S. La femme aux pieds nus. 1. Ed. Paris: Éditions Gallimard, 2008. MUKASONGA, S. A mulher dos pés descalços. Tradução: Marília Garcia. 1.ed. São Paulo: Editora Nós, 2018. QUAGHEBEUR, M. Analyse et enseignement des littératures francofones: tentatives, réticences, responsabilités. Bruxelles: P.I.E. Peter Lang S.A. Éditions scientifiques internationales, 2008. SAGARRA, M. C. Le génocide des Tutsi, Rwanda, 1994: lectures et écritures. Québec: Les presses de l’Université de Laval, 2009. SERAFIM, J. L. D. Auscultar a memória: Scholastique Mukasonga e o dever diaspórico de narrar em A mulher de pés descalços. Orientadora: Profª. Drª. Karina Chianca Venâncio. 145p. Dissertação (Mestrado em literatura comparada) – Centro de ciências humanas letras e artes, Universidade Federal do Rio grande do Norte, Rio grande do Norte, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/32784/1/AuscultarmemoriaScholastique_Serafim_2021.pdf Acesso em: 02. maio. 2022. SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Minas Gerais: Editora UFMG, 2010.