O pós-25 de abril na literatura: reescrevendo o trauma a partir do olhar feminino

PÔSTER - XVIII Encontro ABRALIC

Júlia Fonseca Gomes

ORIENTAÇÃO: Profa. Dra. Roberta Guimarães Franco

RESUMOS: Esta proposta é parte do projeto de iniciação científica “O pós-25 de abril no século XXI: velhas/novas questões”, financiado pela FAPEMIG com orientação da Profa. Dra. Roberta Guimarães Franco (FALE-UFMG) no âmbito do projeto “O cotidiano como memória coletiva: perspectivas do micro nas narrativas de língua portuguesa”. O propósito da pesquisa é refletir sobre as potencialidades das múltiplas impressões que culminam nas novas noções apreendidas na literatura que tem como marco o 25 de abril, mas já produzida no século XXI. Partindo de autoras como Lídia Jorge, Isabela Figueiredo e Dulce Maria Cardoso, a pesquisa tem vista lançar um novo olhar sobre as oposições entre os gêneros, isto é, as figuras masculinas e femininas apresentadas na narrativa, propondo-as como dois lados que coabitam um mesmo rosto frustrado pelo regime autoritário implantado pelo Estado Novo, o qual compromete não só o futuro do país mas também de toda uma geração de portugueses, fazendo-os lutar por uma terra prometida que na verdade nunca existiu — a não ser na fabulação portuguesa. Além de todos os vestígios para uma revisão da história tradicional portuguesa, a escrita feminina opera irrompendo lembranças que se disseminam por meio de uma linguagem que escancara violências, na qual o condicionamento humano é refletido por intermédio de uma linguagem que se desagrega à medida em que busca ordenar os sentimentos que as marcaram profundamente. A busca ontológica das escritoras persegue a origem e o sentido por meio do exercício da escrita, sacralizando e dessacralizando as visões e transformando o trauma em uma experiência estética compartilhada. Os relatos são convertidos numa linha narrativa que se transforma numa fragmentária reescrita dos últimos dias coloniais de Portugal, e ao longo dos romances, o posicionamento das figuras dispostas revela a revolta em relação ao status quo: a vida das mulheres, o zelo e a vergonha em contraste com o silêncio masculino.

PALAVRAS-CHAVE: pós-25 de abril, memória, trauma.

REFERÊNCIAS: VECCHI, R. Legados das memórias da Guerra Colonial: algumas reflexões conceituais sobre a transmissão intergeracional do trauma. NEPA/UFF, 2013. RIBEIRO, M. C., & Ribeiro, A. S. Os netos que Salazar não teve: Guerra Colonial e memória de segunda geração. NEPA / UFF, 2013. MARINHO, Maria de Fátima. Romance português pós-25 de abril - identidade e legitimação. Revista Metamorfoses, 2011. JORGE, Lídia. A costa dos murmúrios. 3. ed. Lisboa: Editora Planeta de Agostini, 2000. HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Beatriz Sidou. 2ª ed. São Paulo: Centauro, 2013. NORA, Pierre. “Entre memória e história: a problemática dos lugares”. Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da PUC-SP, n. 10. São Paulo, dez.-1993.