Dragões no imaginário: da antiguidade ao período medieval e algumas representações literárias

PÔSTER - XVIII Encontro ABRALIC

Pedro Henrique Magalhães Macêdo

ORIENTAÇÃO: Dr. Cláudio Augusto Carvalho Moura

RESUMOS: O presente trabalho, oriundo de um projeto de iniciação científica (2021/2022), busca delimitar parte de representações literárias com dragões no ocidente, com suas possíveis simbologias pautadas na correlação das histórias, em especial às de Beowulf ([7--?] 2009)] e outras sagas medievais. Essa criatura fantástica é presente no imaginário humano por tempos imensuráveis, seja em suas facetas clássicas ou àquelas contemporâneas. Como referido por Honegger (2019), essa figura tem sido uma que deambula pelo caldeirão das histórias; a sua presença já foi apontada como a representação de divindades, a de êmulo máximo do Deus cristão, além de ser o obstáculo de heróis. Na literatura ocidental, sua presença faz parte de um tropo comum dentro da tradição heróica, da qual a representação antiga mais evidente é o poema épico anglo-saxão Beowulf ([7--?] 2009)], mas se expande para sagas como a Prose Edda ([1223] 2006). Portanto, para compreender a fundo a presença dessa figura, objetivou-se realizar um panorama comparativo, examinando parte da cultura ocidental em diferentes representações. Destarte, a análise centrou-se inicialmente na tradição helenística, que de acordo com Ogden (2013) transcorreu fortemente às culturas indo-europeias com as histórias de Perseus e Hércules. Em seguida, com base nos aportes teóricos de Brown (1998), Honegger (2019) e Arnold (2018), há um enfoque no período medieval, cuja ressignificação tomou proporções fortes não somente na literatura, mas também em iconografias identificáveis para o público moderno. Nesse período essa figura foi fortemente contemplada pelo cristianismo, o qual ressignificou para personificar o Diabo e simbolizar paganismo, algo identificável em demasia em Beowulf ([7--?] 2009). Em contrapartida, tornou-se apreensível no estudo que essa figura em sagas literárias tais como as nórdicas e em mitos gregos surgem mais associados à avareza ou como símbolo de aprovação de ethos heróico àqueles que os enfrentam.

PALAVRAS-CHAVE: dragões, figuras fantásticas, simbolismos.

REFERÊNCIAS: ARNOLD, Martin. Dragon: Fear and Power. Islington: Reaktion Books, 2018. BROWN, Patricia. The role and symbolism of the dragon in vernacular saints' legends, 1200-1500. 1998. Tese (Doutorado) - School of English, University of Birmingham, Birmingham, 1998. HONEGGER, Thomas. Introducing the Medieval Dragon. Cardiff: University of Wales Press, 2019. OGDEN, Daniel. Drakon: Dragon Myth and Serpent Cult in the Greek and Roman Worlds. Oxford: Oxford University Press, 2013. HEANEY, Seamus. Beowulf. Londres: Faber & Faber, 2009. STURLUSON, Snorri; BRODEUR, Arthur Gilchrist. The prose edda: Tales from Norse mythology. Chelmsford: Courier Corporation, 2006.