Quem ama não mata: uma análise das relações de poder e posse sobre o corpo feminino na obra Cais da Sagração

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Radiley Suelma Suelma Silva de Oliveira

ORIENTAÇÃO: LUCÉLIA DE SOUSA ALMEIDA

RESUMOS: O presente trabalho tem por principal intuito analisar, por meio de uma pesquisa bibliográfica, as representações de controle e posse sobre o corpo feminino na obra Cais da Sagração, de Josué Montello. A obra circunda a trajetória de vida do barqueiro Mestre Severino. Mestre Severino é muito conhecido por fazer viagens de sua cidade natal, Alcântara, para São Luís, capital maranhense. Em uma de suas viagens, conhece Vanju, jovem cortesã que vive nos subúrbios de São Luís. Após alguns encontros, os dois acabam se casando e Vanju passa a morar em Alcântara. Infelizmente, após alguns anos, mestre Severino acaba assassinando Vanju por ciúmes. Segundo o barqueiro, a ex-prostituta o estava traindo com o promotor de justiça recém-chegado na cidade. O barqueiro não expressa arrependimento em nenhum momento. Pelo contrário, justifica o crime argumentando que matou a esposa para livrá-la da perdição. Tal pensamento demonstra como o corpo feminino ainda é visto como propriedade do homem. Pensando nisso, para a conclusão do objetivo geral proposto, pretende-se, a priori, compreender o que são os crimes direcionados ao corpo feminino (conhecidos como feminicídio); em seguida, verificar as relações de dominação simbólica que contribuem para a banalização da violência contra a mulher; e, por fim, analisar o controle e posse que a dominação masculina exerce sobre o corpo feminino na obra Cais da Sagração. Para subsidiar a presente pesquisa, serão utilizados os trabalhos de Bourdieu (2002) e Saffioti (1987, 1994), entre outros autores que possam dialogar com a temática exposta. Desta forma, através das análises e reflexões feitas a respeito dos elementos que compõem a obra Cais da Sagração, constatou -se que a obra posta em estudo possui representações de fenômenos sociais como a dominação masculina, a culpabilização da mulher enquanto vítima do feminicidio e a inércia social em relação ao crime em discussão, o que acaba por prolongar a permanência de tais condições.

PALAVRAS-CHAVE: violência; mulher; resistência.

REFERÊNCIAS: BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. MONTELLO, Josué. Cais da Sagração. Rio de Janeiro: Livraria Martins Editora, 1971. SAFFIOTI, Heleieth I. B. Violência de gênero no brasil contemporâneo. In: SAFFIOTI, Heleieth B. I.; VARGAS, Mônica Muñoz- (orgs.). Mulher brasileira é assim. Brasília: Rosa dos Tempos, 1994. p. 151-185. SAFFIOTI, Heleieth I. B. O poder do macho. São Paulo: Moderna, 1987.