Machado de Assis contista em antologias e plebiscitos literários

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Carolina Moreira de Lima

ORIENTAÇÃO: Profa Dra Silvia Maria Azevedo

RESUMOS: No ensaio “Notícia da atual literatura brasileira: instinto de nacionalidade” (1873), Machado de Assis tece pequeno comentário acerca do conto, que para ele não recebia da comunidade literária da época a “atenção de que ele é muitas vezes credor”. Através de sua produção de contos, que passa de duzentos títulos, Machado realizou o que requeria de seus contemporâneos, tornando-se um contista consagrado e reconhecido. Seu nome passou a ser referência para a realização do referido gênero por parte de escritores de sua época e tantos outros que ainda estavam por surgir. Considerando o legado de Machado contista, o presente trabalho pretende investigar a recepção de sua produção no gênero, partindo do resultado do plebiscito literário, particularmente da categoria conto, promovido e divulgado pela revista “A semana” (RJ, 1885-1895), de junho a agosto de 1887, e das antologias “Contos brasileiros”, de Jorge Jobim e Alberto de Oliveira, publicada em 1922, e “As obras primas do conto brasileiro”, de Edgard Cavalheiro e Almiro Rolmes Barbosa, de 1943. Os plebiscitos de “A semana” consultam uma comunidade letrada sobre questões literárias, aproximando-se da “Enquête sur l’évolution littéraire”, realizada pelo periódico “L'Echo de Paris” (DE LUCA, 2016). A revista “A semana” foi selecionada como material de análise em função de sua relevância junto à comunidade literária da época, além de contar com escritores e amigos de Machado como colaboradores e membros do corpo editorial do periódico. As referidas antologias foram selecionadas por terem sido organizadas por importantes nomes da crítica literária brasileira percebida, no presente trabalho, enquanto crítica criadora (REYES, 1962). A análise do resultado do plebiscito literário promovido pela revista “A semana”, em 1887, e os critérios de organização das duas antologias de conto supracitadas se prestarão ao exame dos mecanismos de canonização do Machado de Assis contista entre a crítica literária e o público leitor.

PALAVRAS-CHAVE: Palavras-chave: Machado de Assis; conto; recepção; antologia; plebiscito literário.

REFERÊNCIAS: ASSIS, J. M. M. Obra completa em quatro volumes. v.3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. BARBOSA, A. H; CAVALHEIRO, E. (org). As obras primas do conto brasileiro. 3ª ed. São Paulo: Livraria Martins, 1950. DE LUCA, T. R. O inquérito da Revista do Brasil (1940) sobre os rumos da literatura brasileira. Territórios e Fronteiras, Cuiabá, v. 9, n. 2, p. 64-84, 2016. GUIDOTTI, C. G. Antologias: teoria, crítica e história da literatura. In: SEMINÁRIO DE CRÍTICA LITERÁRIA, 30., 2018, Porto Alegre. Anais. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2018. p. 1-13. OLIVEIRA, A; JOBIM, J. (org). Contos brasileiros. Rio de Janeiro: Garnier, 1922. PARRINE, R. Aspectos de teoria do conto em Machado de Assis. Eutomia, Pernambuco, v.1, n. 03, p. 472-484, jul. 2009. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/EUTOMIA/issue/view/118/showToc. Acesso em: 08 jul. 2021 REYES, A. Teoría de la antología. In: REYES, Alfonso. Obras completas de Alfonso Reyes. México: Fondo de Cultura Económica, 1997. p. 137-141. Volume XIV.