Hexâmetros datílicos lusófonos: parentesco sonoro entre reconstrução e clássico

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Pietro Dri Marchiori

ORIENTAÇÃO: Prof. Dr. Celso Garcia de Araújo Ramalho

RESUMOS: A métrica se dá na poesia greco-latina pela quantidade e na poesia lusófona pela intensidade, afigurando impossível a adaptação da métrica Antiga para a lusófona na tradução, e acarretando abordagens tradutórias e críticas muito diversas. Tal dificuldade, junto à importância do metro épico na poesia Antiga, faz da tradução do hexâmetro datílico para o português nosso objeto geral. A dificuldade da adaptação da quantidade gera ora o seu abandono, ora a sua busca por métodos que têm de renunciar a um ou outro elemento do original. Logo, o problema investigado é qual estratégia de tradução mais se aproximaria de reproduzir o metro antigo. Sendo a musicalidade e a performance inerentes à poesia Antiga (STANFORD, 1967, passim; NAGY, 1996, passim), o seu resultado sonoro e o de cada adaptação devem ser o critério para avaliar a sua afinidade, o que faz do parentesco sonoro entre os hexâmetros lusófonos e o Antigo o objeto específico. Das propostas que trazem o hexâmetro ao vernáculo, tem-se três grandes grupos, estudados por Pighi (1970), Pejenaute (1971) e Santos (2020), que configuram nossas hipóteses: os métodos prosódico, silábico e acentual, este subdividido em holodáctilo, hexatônico, anapéstico, dáctilo-espondaico e dáctilo-trocaico. Recortamos o período desde o primeiro hexâmetro lusófono até hoje. A metodologia consta do fichamento bibliográfico acerca do hexâmetro Antigo para concluir sobre sua sonoridade, seguido de igual processo com os lusófonos, através da produção literária e acadêmica, e da análise e comparação das suas sonoridades, visando conclusões e tabulação dos resultados. O marco teórico consta da bibliografia que estuda o metro clássico enquanto fenômeno oral, como em WEST (1982); BOLDRINI (1992); CECCARELLI (2004), e daquela supracitada acerca dos métodos tradutórios. Os resultados preliminares indicam que, por preservar a acentuação métrica antiga, a adaptação holodáctila e a dáctilo-trocaica sejam as propostas mais fiéis ao metro clássico.

PALAVRAS-CHAVE: hexâmetro datílico; hexâmetro português; hexâmetro lusófono; tradução métrica; música e poesia.

REFERÊNCIAS: BOLDRINI, Sandro. La prosodia e la metrica dei Romani. Roma: La Nuova Italia Scientifica, 1992. CECARELLI, Lucio. Prosodia e metrica latina classica con cenni di metrica greca. Roma: Società Editrice Dante Alighieri, 2004. NAGY, Gregory. Poetry as performance: Homer and beyond. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. PEJENAUTE, Francisco. La Adaptación de los Metros Clasicos em Castellano. Estudios Clasicos, nº 63. Madri: 1971. PIGHI, Giambattista. Studi di ritmica e metrica: raccolti a cura della Facoltà di Lettere dell’Università di Bologna. Torino: Bottega d’Erasmo, 1970. SANTOS, Arthur R. P. Geórgicas Bárbaras: Estudo para uma tradução hexamétrica do poema didático virgiliano. 2020. Tese (Doutorado em Letras Clásscas) - Faculdade de Letras, UFRJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020. STANFORD, W. B. The Sound of Greek. Studies in the Greek Theory and Practice of Euphony. Berkeley: University of California Press, 1967. WEST, Martin Litchfield. Greek Metre. Oxford: Clarendon Press, 1982.