A ficção e a montagem: a metrópole contemporânea em Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Pedro Lucas da Silva Oliveira

ORIENTAÇÃO: Giovanna Dealtry

RESUMOS: Com o apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob orientação da Profa. Dra. Giovanna Dealtry – associada, logo, a seu projeto de pesquisa, de nome ‘A representação das margens na metrópole: cenas da modernidade, cenas do contemporâneo’ – a pesquisa ora resumida se propõe a abordar o contato entre literatura e experiência urbana, considerando a tessitura da metrópole no âmbito da ficção brasileira contemporânea. Estudamos, para tanto, a obra Eles eram muitos cavalos (2001), de Luiz Ruffato, investigando quais condições, recursos, variáveis, enfim, influem na imagem de metrópole (SARLO, 2014, p.139) que essa ficção dramatiza; pensamos, pois, em sua forma de intervenção sobre a cidade – como inventar uma leitura para o vasto lugar de trânsito que é a paisagem contemporânea? (PEIXOTO, 2004, p.233) Quais possíveis urgências a obra dimensiona ao ‘expressar’ a cena urbana? Essas questões são confrontadas com aportes teóricos nos quais se explora a tensão dialética que conforma a escrita da cidade e a cidade como escrita, relação que revela antes uma experiência poético-urbana em ato do que uma mera descrição do visível, como sugerem, além dos críticos supracitados, CALVINO, 1990; GOMES, 2004; DEALTRY, 2007; SCHOLLHAMMER, 2011. Assim, trabalhamos com a ideia de que por ser figuração, imagem, EEMC contemporiza-se com a fragmentação do ‘percebido’ das paisagens urbanas, oferecendo outra dobra para a leitura da metrópole, noção que nos aproxima do princípio constelar da montagem, fenômeno (des) articulador que colide vários pontos de vista em uma imagem (TEITELBAUM, 1992, s.n apud JACQUES, 2020, p.347). Conclui-se que ao friccionar esses instantes de súbita aparição, redobrando o tecido urbano, a obra engendra um método de conhecimento da metrópole contemporânea e sua paisagem, articula uma leitura para suas redes de desterritorialização, isso é, suas próprias tessituras e latentes experiências e vivências.

PALAVRAS-CHAVE: Luiz Ruffato; metrópole; margens; contemporâneo.

REFERÊNCIAS: CALVINO, Italo. As cidades invisíveis. Tradução de Diogo Mainardi. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. DEALTRY, Giovanna. O romance relâmpago de Luiz Ruffato: um projeto literário-político em tempos pós-utópicos. In: DEALTRY, Giovanna; LEMOS, Masé; CHIARELLI, Stefania (Org.) Alguma prosa: ensaios sobre literatura brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007. p.169-178. GOMES, Renato Cordeiro. Todas as cidades, a cidade: literatura e experiência urbana. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. JACQUES, Paola Berenstein. Fantasmas modernos: montagem de uma outra herança v.1. Salvador: EDUFBA, 2020. PEIXOTO, Nelson Brissac. Paisagens Urbanas. 3ed. rev. e ampl. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004. RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. 7ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. SARLO, Beatriz. A cidade vista: mercadorias e cultura urbana. São Paulo: Martins Fontes, 2014. SCHOOLHAMMER, Karl Erik. Ficção Brasileira Contemporânea. 2ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.