A morte em contos de Clarice Lispector

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Amanda Massuretti Goulart de Almeida

ORIENTAÇÃO: Mestra Léa Evangelista Persicano

RESUMOS: Esta apresentação se refere a uma pesquisa de iniciação científica, desenvolvida na Universidade Federal de Uberlândia junto ao curso de Letras-Inglês, na qual buscamos compreender algumas facetas da morte em contos de Clarice Lispector. A escolha pela autora baseia-se na diversidade de histórias que ela escreveu sobre o tema “morte”, e a profundidade com a qual seus personagens são desenvolvidos psicologicamente, já que estabelecem uma ponte interessante com a projeção dos sentimentos humanos manifestados na vida real. Os contos selecionados para a pesquisa – “Uma galinha” (1952), “O morto no mar da Urca” (1974), “A quinta história” (1964), “Os obedientes” (1964), “O corpo” (1974) e “Ruído de passos” (1974) – são uma amostra da narrativa soturna da escritora, que criou textos ricos em metáforas, ironias e ambiguidades. Segundo Philippe Ariès (2017), a morte é um assunto evitado em muitos contextos da história do Ocidente; e, embora nos constitua enquanto sujeitos e seja um tema tabu em muitos espaços, sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Como destaca Marisa Gama-Khalil (2014), enquanto repudiamos a morte como experiência, nos sentimos atraídos pelo seu mistério. Logo, a eleição do tema passa pelo intuito de interligar a literatura com a realidade social, pensando a morte no contexto de produção dos contos e, na medida do possível, na atualidade, marcada por uma pandemia banhada na indiferença e na ignorância diante do morrer, num país em que a apatia cresce proporcionalmente ao número de vidas perdidas. Motivadas, então, pelo que aponta Umberto Eco (1994) de que mundos ficcionais se nutrem do real para existir, descreveremos e analisaremos os contos tendo em vista as formas pelas quais a morte é narrada. Se as culturas têm tantas faces para a morte, Lispector abraça e re-apresenta muitas delas em seus textos, demonstrando que Ariès (2017) estava certo ao afirmar que é, através da escrita, que “celebramos” o morrer.

PALAVRAS-CHAVE: morte; literatura; contos; Clarice Lispector.

REFERÊNCIAS: ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos tempos. Tradução de Priscila Viana de Siqueira. Ed. Especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. ECO, Umberto. Bosques Possíveis. In: Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 81-102. GAMA-KHALIL, Marisa Martins. A morte e a palavra lisa da criança: imagens insólitas. In: SARMENTO-PANTOJA, Tânia (Org.) Arte como provocação à memória. Curitiba: CRV, 2014. p. 121-131. LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. Organização de Benjamin Moser. Rio de Janeiro: Rocco, 2016.