Sobre pontes, janelas e sonhos: por entre travessias em O Lustre, de Clarice Lispector

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

Marcella Mahara Costa Torós

ORIENTAÇÃO: Flavia Trocoli Xavier da Silva

RESUMOS: A pesquisa propõe-se a ler como é construída a fluidez da personagem principal, Virgínia, de O Lustre, romance de 1946 da escritora Clarice Lispector. Serão pensados os fragmentos nos quais a personagem se encontra em momentos de indefinição e transitoriedade – como é possível observar em seu contato com a morte nas primeiras páginas, as cenas de despertar, os sonhos e a sua transformação gradual de menina em mulher ao longo do texto. Logo, busca-se mostrar como a trajetória de Virgínia é marcada pela sua permanência em uma zona de transição e fluxo que fará parte de toda a narrativa: o limiar. Dessa forma, a leitura do autor Walter Benjamin é relevante, visto que há um fragmento, excerto de seu livro das Passagens, no qual escreve sobre os ritos de passagem – cerimônias, em suas palavras, ligadas às experiências limiares: a puberdade, o nascimento, a morte, o despertar e o adormecer, etc. São experiências que, como esta pesquisa pretende mostrar, serão vividas intensamente pela protagonista de O Lustre. É importante salientar ainda que a leitura da primeira parte do romance será um dos principais objetivos, visto que todos esses eventos são marcados pela passagem de Virgínia para a adolescência, momento em que as vivências são ainda mais indefinidas e transitórias. As experiências limiares são intensificadas pela adolescência, não apenas no corpo, mas nos sentimentos e gestos da personagem, que passa a descobrir, cada vez mais, um novo mundo.

PALAVRAS-CHAVE: O Lustre; Clarice Lispector; Walter Benjamin; adolescência; transição.

REFERÊNCIAS: BENJAMIN, Walter. Passagens, Willi Bolle e Olgária Matos (orgs.), Belo Horizonte/ São Paulo, Editora da UFMG/ Imprensa Oficial, 2007, p.535. Tradução de Irene Aron. LISPECTOR, Clarice. O Lustre. Rio de Janeiro, Rocco, 2019.