A memória como fio condutor das narrativas indígenas

PÔSTER - XVII Congresso Internacional ABRALIC

José Fernando Rocha Graça

ORIENTAÇÃO: Rosa Cristina Zanelatto Santos

RESUMOS: As literaturas indígenas abrangem não uma só produção cultural, mas todas aquelas produzidas por esses povos desde o processo de colonização até a atualidade, sendo intrinsecamente ligada à força memorialística desses povos, tanto em sua tradição oral, ainda utilizada para a transmissão de saberes e costumes, quanto na “novidade” da tradição escrita. Em vista disso, objetiva-se exibir a folclorização das narrativas indígenas por escritores não indígenas em épocas passadas e evidenciar as particularidades das narrativas indígenas, tirando-as de uma história pré-concebida na mente do povo brasileiro, exibindo o perigo de uma história única, tanto em conteúdo quanto em forma, tendo como foco produções atuais. Para tal, uma metodologia teórico-analítica foi empreendida, isto é, a fim de compreender as nuances da memória desses povos o aporte teórico tem a presença de vários escritores indígenas e não-indígenas, com intuito de estabelecer um melhor entendimento do leitor para o início de sua jornada de (re)descoberta das literaturas indígenas e sua importância num contexto de lutas e de sobrevivência da cultura desses povos. A dupla função do leitor dentro da obra (enquanto leitor e ouvinte), a similaridade do texto indígena com outros estilos textuais e a luta dos brasileiros originários foram algumas das descobertas e apontamentos feitos durante a elaboração primeira deste estudo.

PALAVRAS-CHAVE: literatura; literatura indígena; memória; narrativa.

REFERÊNCIAS: ADICHIE, C. N. O perigo de uma história única. (J. Romeu, Trad.) São Paulo: Companhia das Letras. 2019 ALMEIDA, Marina. Literatura indígena: outros livros, outras histórias do Brasil. Escrevendo o Futuro, 2019. Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/.... Acesso em: 15 out. 2020. CANDAU, Vera M. F.; RUSSO, Kelly. Interculturalidade e educação na América Latina: uma construção plural, original e complexa. Diálogo Educacional. Curitiba, v. 10, n. 29, p. 151-169, jan./abr. 2010. CHARTIER, Roger. Literatura e cultura escrita: estabilidade das obras, mobilidade dos textos, pluralidade das leituras. Escola São Paulo de Estudos Avançados. 2012. Disponível em: http://www.espea.iel.unicamp.br/texto.... Acesso em: 18 mar. 2020. GRAÚNA, Graça. Literatura indígena no Brasil contemporâneo e outras questões em aberto. In: Educação & Linguagem, São Paulo, v. 15, n. 25, p. 226-276, jan./jun. 2012. GUESSE, Érika B. Da oralidade à escrita: os mitos e a literatura indígena no Brasil. Anais do SILEL, Uberlândia, EDUFU, v. 2, n. 2, p. 1-11, 2011. ISER, W. A interação do texto com o leitor. In: JAUSS, Robert et al. A literatura e o leitor. Coord. e trad. Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. ISER, Wolfgang. O fictício e o imaginário: perspectivas de uma antropologia literária. Trad. Johannes Kretschmer. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1996. LARAIA, Roque de B. Cultura: um conceito antropológico. 14ª. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006. LUCIANO BANIWA, G. d. O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil hoje. Brasília: MEC/UNESCO, 2006. RIBEIRO, D. O povo brasileiro. São Paulo: Global. 2015. SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. Rio de Janeiro: Rocco. 2000.